Amor que não tem igual

Estou passando uns dias na casa da minha vó, no Rio. Adiei essa viagem três vezes até ter coragem de entrar num avião e de chegar perto dos meus avós de novo.

O contraditório é que o que mais me angustiou a querer estar aqui foi ver tantas pessoas perderem seus entes queridos. Para meus velhinhos, o mais importante é estar comigo e eu me recuso a perder isso. Eu me recuso a perder tempo ou a passar da hora.

O medo faz com que eu não tire a máscara e não abrace. Também lavo as mãos a todo momento. Por outro lado, algo interessante tenho sentido por estar aqui. A casa sempre foi tumultuada e com muita gente. Durante esse período, a movimentação reduziu drasticamente.

Então, praticamente tem sido eu e eles. Minha vó cozinha o que quero, ouço as músicas velhas do meu avô, pintei o cabelo da véia, vimos fotos antigas da família e pretendemos fazer bolo de cenoura. Na infância, eu adorava passar o dedo no resto da massa e comer. Doces lembranças.

Por isso, vejo que a questão é muito além de furar ou não uma quarentena. É até aonde – ou até quando – vale a pena perder momentos com quem a gente ama. Sinto o coração aliviado.

Neste dia, envio meu carinho a todos os avós e netos que estão distantes uns dos outros e a todos aqueles que hoje sentem a saudade dos que já partiram. Sortudos os que sabem o que é esse amor. Ouso dizer que não tem igual.

Foto autoral. Pé de amora da minha vó / Rio de Janeiro, 2020.

27 comentários sobre “Amor que não tem igual

  1. Hudson

    Você está certíssima, Nicole! Tome os cuidados necessários e possíveis, mas curta os teus avós, sem culpa! Posso imaginar a felicidade que eles estão sentindo com tua presença! 😍

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  2. Perdi todos os meu avós já fazem alguns anos, e faz bem em aproveitar cada momento! Eu sinto o mesmo agora em relação ao meu pai, que já possui uma idade avançada e tem a saúde um pouco fragilizada. O dias dos pais chegando e o véinho foi pro interior de SC fazer quarentena. O coração aperta, mas ele entende a situação, acho! Bom descanso por aí!

    Curtido por 3 pessoas

    1. Que bom que você consegue colocar seu pai em quarentena, eu já desisti dos meus. Estão até visitando meu irmão no Pará. E você não vai visita-lo? Eu comecei a ficar assustada vendo tantos velhinhos ficando sozinhos e familiares de amigos partindo. Estou tentando, na medida do possível, estar perto.

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      1. Essas datas comemorativas são o que menos importa. Foi coincidência estar aqui no dia dos avós. Tomara que consigam passar um bom tempo juntos de novo! E que bom que ele está bem e num lugar seguro 😉

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    2. mariogordilho

      Que bacana, Nicole! Seu texto me fez me lembrar da minha infância com meus avós maternos no Rio. Vim pequeno para Brasília, mas eles me criaram até os 4 anos, antes de vir pra Brasília. E todas as férias de janeiro eram lá na casa deles, simplezinha, em Senador Camará, Bangu. Lugar mais quente do Rio, quase não ia a praia. Que calor que nada! Eu adorava cada segundo! E ainda tinha os feriados prolongados, todos lá também, num bate e volta louco de carro, Brasília Rio. Valeu demais essas lembranças. Eles já voltaram há muitos anos para o lar espiritual, mas foi bom me lembrar deles hoje. Obrigado por compartilhar seus momentos aí com seus avós. Curta cada segundo, sem medo de ser feliz.

      Curtido por 2 pessoas

      1. Lembranças muito boas, Mário!! Eu conheço Bangu! Imagino que você brincava muito na rua quando visitava os avós. E você me lembrou outra coisa… Conheço bastante gente de Brasília que nas férias iam para o Rio de carro! São muitas famílias cariocas que viraram candangas. Inclusive meu avô paterno foi um desses que deixou o Rio, mudou pra Brasília e teve outra família. Mas ele partiu e eu era bem pequena. Legal saber que você é carioca e tem boas memórias da terrinha. 🙂

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  3. A que lindos! É ótimo que você tenha conseguido aproveitar um tempo com eles.
    Não dá para ficar de quarentena para sempre né? Acredito que daqui para frente o jeito vai ser se readaptar e agir com cautela para vivermos com segurança, mas não completamente separados.
    Eu morro de saudade das minhas avós!
    Meus avôs, infelizmente não cheguei a conhecer, mas em compensação eu tive três avós. Duas de sangue e uma de coração que hoje já não estão mais comigo, mas a saudade e as boas memórias seguem bem vivas dentro de mim 🙂

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    1. É muita sorte termos histórias com nossos avós, né? Cresci com os meus e marcaram muito minha infância. Mesmo longe, sempre faço o possível para visita-los e ligo com frequência. Também acho que a quarentena tem um limite. Muitos deixaram os idosos isolados, acho muito triste… estão deprimidos longe da família. O melhor é seguirmos com segurança e presente na vida daqueles que amamos! Espero que você e sua família estejam bem. 🧡

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  4. Igual a este amor não tem igual mesmo! E eu também me pego pensando nesta questão de ” furar” a quarentena. Algumas coisas não podem ser adiadas, concordo contigo. Saúde e vida longa para teus avós! Beijos

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    1. Confesso que está me dando agonia os “fiscais de quarentena”. Se a pessoa está tranquila em casa, ótimo. Mas não está sendo fácil para a maioria e os idosos entram nesse grupo. Está triste ver como muitos estão sozinhos e sem nenhum contato presencial com a família. Enfim, temos que ter o tão difícil equilíbrio. Beijos 🌻

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  5. Mas que gostoso ler isso, Nicole! Imagino a felicidade sua e de seus avós viver este momento contigo. Curta bastante!
    Ah, se eu pudesse ter meus véinho comigo de novo, abraçaria tanto!

    Com carinho,
    diego rbor

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  6. Mary

    Fico Feliz que tenha vindo, e garanto que para Eles esse foi o maior presente, pois sei o amor que eles têm por você e sei que a recíproca é mais que verdadeira. Tem coisas que não temos como deixar para depois, mesmo que o medo seja maior, mais o amor e a necessidade de tá com eles ultrapassa esse medo. Como já dizia Shakespeare; “Nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder o que, com frequência, poderíamos ganhar, por simples medo de arriscar.” – Ainda bem que você arriscou e viveu momentos maravilhosos com Eles! bjs

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    1. Ta certa, tia! Tem horas que precisamos arriscar! Temos que achar algum equilíbrio e não perder totalmente o contato presencial com a família, principalmente com os idosos. Tem muitos ficando deprimidos e até adoecendo com o distanciamento que já passa dos 4 meses. Beijos!! 😘

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    1. Não está fácil decidir o melhor caminho. Eu segui meu coração e tomei os cuidados. Sem dúvidas, pra eles foi o melhor. Tem a questão do psicológico, principalmente com os idosos. Muitos estão ficando deprimidos. De que adianta? Toma coragem e da um alô de longe 😉

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