Nosso estranho convívio com a natureza

Não sei se vocês viram, mas no último domingo (26) alguns carros de luxo foram engolidos pela maré na praia do Atalaia, em Salinópolis, nordeste do Pará. Por que isso aconteceu? As pessoas, não sei por qual razão, colocam seus carros na areia! Junto com seus lixos sonoros e materiais.

Sim, pessoal. É na areia mesmo. Imagina a Praia de Copacabana lotada de carros? É isso mesmo que acontece no verão paraense. Já presenciei ao vivo – a pé – e nunca entendi a lógica disso. Além de ser perigoso para os pedestres que estão curtindo o mar, é prejudicial ao meio ambiente.

Esse hábito, que sempre me trouxe incômodos, é um grande exemplo sobre nossa dificuldade em conviver de forma saudável com a natureza. Ela só quer respirar. A empatia é importante entre nós, humanos, mas também com tudo que nos cerca. Somos uma unidade.

Hoje, pode estar tranquilo sobreviver dessa forma tóxica, mas e daqui alguns anos? Durante a pausa que muitas cidades tiveram, a gente pôde olhar como a natureza abriu as suas asas em paz. Foram muitos vídeos de animais em extinção aparecendo nos parques, peixes aparecendo onde só víamos lixo, céu menos poluído.

Talvez não tenha sido tempo suficiente. Talvez a gente não tenha prestado atenção. Tenha paciência, mãe natureza, estamos aprendendo.

Publicado en español por Masticadores de Letras, miralo aquí.

Foto autoral. Praia de Salinas do lado que os carros não gostam / Pará, 2018.

39 comentários sobre “Nosso estranho convívio com a natureza

  1. Bruno Morais

    ‘Somos uma unidade.’ Preciso, fiel.
    ‘Tenha paciência, mãe natureza, estamos aprendendo.’ Recursos sustentáveis, ganhem voz! Tempo rei, vá com calma.

    Tem um texto de Murilo Mendes em que ele diz “Ainda não estamos habituados com o mundo. Nascer é muito comprido.” Seres assim, que invadem para ser, serem notados como presença humana, são crianças, sem a atenção devida, sem a visão coletiva devida, apenas ‘dançando conforme a música.’

    Que esse recorte da sociedade consiga nascer, crescer, questionar e principalmente se investigar. Entender que a natureza é a maior metáfora que temos na vida, ao meu ver. Ótimo texto Nicole, reflexão necessária!

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    1. Você falou em crianças e algo que tenho visto são as novas gerações de pequenos com uma sabedoria que os mais velhos ainda estão tateando. Para os que estão chegando agora no mundo, o cuidado com a natureza parece algo óbvio… eles amam os animais, gostam de mexer com plantas. Presta atenção, principalmente os que tem até uns 7 anos hoje. Isso dá muita esperança! Obrigada, Bruno! E preferi com seu nome, antes eu ficava perdida hahaha beijos

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      1. Bruno Morais

        Sim, manter as pequenas esperanças por perto, é tão bom, traz paz. Crianças dotam da felicidade simples, genuína, humilde, ingênua, por isso aprendemos tanto com elas. Quanto mais crescemos mais vamos perdendo a beleza desse contato ínfimo com tudo que nos cerca. A pressão social vai nos preenchendo de outras preocupações.

        Inclusive me lembrou muito o discurso do filme ‘O labirinto do fauno’ agora, que foi capa do meu facebook durante anos, vou rever esse filme logo menos. E indico! Hehe

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  2. VEM comigo!

    Nicole, ao meu entender, isso ocorre pela falta de conscientização mesmo. A tua preocupação no final do texto reflete essa questão. Tempo, eu acredito que todos temos se aprender algo novo, principalmente em saber viver em harmonia com o meio ambiente. Resta saber se todos estão de acordo. Quem age dessa forma, é o tipo de sujeito que não se adequa às regras.

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    1. É muito difícil conseguir entender, sabe? Principalmente pra quem está acostumado a amar a praia e a curtir a praia. O que eu ouvia das pessoas é que o pessoal não ia para curtir a natureza, mas para a festa. E a festa era na areia da praia mesmo… com música alta em casa carro, lixos deixados na areia, gasolina vazando. Ai ai… o que é óbvio pra gente pode não ser para outros, né? Tomara que proíbam esses carros logo!

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  3. elcieloyelinfierno

    Entrada muito boa!
    Clara denuncia por que os seres humanos se destroem. O mesmo se aplica ao ecossistema. Negação e egoísmo expressos em “Eu não me importo” são as qualidades típicas daqueles que, embora ignorantes, nem mesmo se interessam por sua própria qualidade de vida. Uma cordial saudação.

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  4. Aqui em Fortaleza não acontece isto, porque existe o calçadão, mas em algumas cidades praianas, isto acontece muito. Consegui ouvir pelo meu ouvido direito, um forró e pelo ouvido esquerdo, música gospel. Pessoas acham que estão se divertindo e não respeitam o espaço do outro, melhor dizendo, um espaço que não é de nenhum deles, melhor ainda, um espaço que não deveria ser para carros. Haja paciência, mãe natureza. Ô, dificuldade de aprender!!!

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  5. Nossa também já fui em Salinas e achei isso muito estranho. Sem falar na questão do lixo na praia…
    Temos que aprender que nossa relação com a natureza não é uma competição, como ouso muitos com a falácia: venci a natureza. Como se nessa disputa não saissimos perdendo de qualquer maneira.

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    1. E nós fazemos parte da natureza, né? De uma vez por todas, precisamos saber disso. Cuidar dela como queremos ser cuidados. E o lixo lá também me surpreendeu. Também as pessoas dirigindo na areia e você precisa “atravessar a rua/areia” quando sai da água… tenso!

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  6. Seria sonhar demais agora que a natureza está mostrando sinais de recuperação, pensar que nós da espécie humana iremos ser mais conscientes e integrados a ela? Acho que o egoísmo como sempre falará mais alto, ao menos para uma parcela. Mas, a questão é que os egoístas podem ser menos, mas incomodam muito mais do que os que se importam.

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    1. Eu acredito, Juliano! E tudo isso está acontecendo para também mostrar que precisamos viver em harmonia. Acredito que você está certo… talvez a maioria se preocupe com a natureza, mas quem faz barulho/destrói muito é uma pequena parcela. Estaria bem pior se a maioria não se importasse…

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    1. Hudson

      Da mesma forma que outros temas que você nos apresentou, esse também mostra o egoísmo e falta de empatia de muitas pessoas! É difícil acreditar que pessoas têm a capacidade de deixar carros nas areias das praias! Mas não é preciso ir muito longe para ver a dificuldade que algumas pessoas têm em viver em comunidade! Aqui em Brasília, vemos carros estacionados nos gramados, motoristas que jogam bituca de cigarro, garrafas e outras coisas pela janelas dos carros, que entopem as bocas de lobo, com as consequências que nós conhecemos! A natureza reage e pune!

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      1. Isso! São diferentes formas de prejudicar a natureza… no meio urbano a gente ventosa hora. Com a praia achei muito estranho, porque desde pequena sou acostumada a curtir a praia. E sempre vi como um presente gratuito que está aí pra gente. Torço para termos mais incentivos para andar a pé, de bicicleta e transporte público. Menos carros!!

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  7. Boa noite Nicole
    E fato a natureza tem mostrado toda a sua revolta..e força talvez seja um sinal de que nós seres humanos estamos e mto afetando a com nossa ganância visto que nao pensamos em nada p alcançarmos os nossos objetivos no que diz respeito a riqueza,o desrespeito e grande saimos destruindo tudo pela frente,invasões de grande escala enfim o que esperarmos de nós…nao valorizamos o que Deus nos proporcionou..nao e pq está la quer dizer que é nosso..mto triste a nossa realidade..me pergunto as vezes se nao estamos retroagindo virando primatas..so espero nao ser tarde demais para nós!!
    Fica c Deus..tenha uma boa noite.bj

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  8. oi, Nicole. um tema muito delicado e sensível para reflexão e desdobramentos. penso, sobretudo, que é uma questão que envolve educação, cultura, comportamento, ética. integridade, etc. é um processo histórico esse de não cumprimento não apenas das leis como o achar que tudo é possível. por isso, se me permites discordar, não “somos (todos) uma unidade”. somos um coletivo que não sabemos viver com o coletivo. não gosto, por certo, de generalizar, mas o caminho é esse. a prevalência do individual sobre o coletivo. o não cumprimento das leis, qualquer lei, até o código de conduta, o código de trânsito, etc. hoje, há a naturalização dessas infrações. estão no dia a dia e são assimiladas pelo cotidiano. o nível de informação, tanto quanto o coletivo vive, é fragmentado, ou seja, a notícia é veiculada e em seguida entra o nascimento de um urso panda em algum zoo do mundo. é o suficiente para quebrar o pensamento e ele rumar para a beleza do ursinho. repito, é histórico e cultural. bom, aqui no sul, no Cassino acontece isso, os automóveis vão à praia. aqui entra um fator de época, chegava-se ao mar por automóvel e lá permaneciam. essa “cultura” permanece embora os tempos sejam outros e as normas também. não é da nossa natureza, de novo vou generalizar, “obedecer” tão facilmente algo como simplesmente parar à beira do mar. não convivemos em coletivo como humanos e muito menos com a própria natureza. nada é por acaso. tenho pensado muito – tempo não tem faltado – nesses meses em que da janela posso acompanhar a transição do quase lockdown à quase normalidade de hoje, ainda que por aqui os casos estejam aumentando e são graves. enfim, teria muito mais a escrever, mas comentários longos se perdem entre as palavras. muito bom ler textos que nos remetem ao pensar e com ele possamos rever muito do que estamos vivendo não apenas agora mas já há muito tempo. o meu abraço.

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    1. É realizador quando um texto proporciona reflexão… meu objetivo aqui é esse mesmo: conversar e trocar ideias. Acredito que ninguém tem verdades absolutas sobre nada e aprendemos muito quando expandimos nossas opiniões.

      Levantei essa questão sobre carros na praia e outras pessoas me falaram sobre essa praia do sul! Não sabia! É realmente algo cultural e histórico. E entramos naquele ponto de mudar por que? Está ótimo assim.

      E o pior que acho em relação a esse caso das praias é que é aceito pelas prefeituras. Provavelmente porque é algo que os próprios políticos fazem também. Então não é conveniente proibir e fiscalizar.

      Você foi certeiro quando disse que não convivemos em coletivo como humanos, imagina com a natureza. Mas estamos aprendendo! Acredito que hoje a maioria tem consciência ambiental, mas a minoria consegue fazer um estrago grande. Abraços e cuide-se!

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    1. Pois é, Pedro… e hoje descobri que tem praia do Rio Grande do Sul e no Maranhão que acontece o mesmo. Não sei se seria algo regulamentado pela prefeitura local. Talvez seja conveniente deixar como está, porque também pode fazer parte da cultura deles -aqueles que regulamentam e fiscalizam- colocar seus carros na areia.

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  9. Daniel Takara

    Nicole, a questão do relacionamento com a natureza que você nos traz neste texto me lembra a sustentabilidade da população mundial atual e futura em relação à quantidade de recursos que a natureza nos oferece. Este ponto foi abordado como pano de fundo no livro Inferno, do Dan Brown, que estou lendo, no qual um dos personagens chega a dizer que a humanidade se tornou um câncer para o planeta, por já sermos o dobro de pessoas em relação à quantidade que seria ideal. Nossa evolução intelectual permitiu que melhorássemos muito nossa expectativa e qualidade de vida, mas, por outro lado, acho que isso nos dá a responsabilidade de ter consciência e pensar sobre as consequências das nossas ações sobre o mundo em que vivemos. Duro é que, na minha opinião, muitos aspectos da forma como vivemos a tornam não sustentável, como o uso intenso de plásticos e combustíveis fósseis, mas é muito difícil mudar isso. Como possibilitar que as pessoas utilizem menos plástico e combustíveis fósseis? Por outro lado, isso não nos dá a liberdade de pensar algo na linha: “Ah, não vou conseguir salvar o mundo sozinho mesmo, então que se dane, vou viver de qualquer jeito, fazendo o que me der na telha.” Seria exagero dizer que aqueles que não param para pensar “Que diferença faz parar meu carro na praia ou não?” são displicentes? Talvez sim, talvez não. Na dúvida, prefiro não parar.

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    1. Amei sua análise, Daniel… tocou no ponto chave sobre nossa opção de vida não estar compatível com a sustentabilidade do planeta. E, além disso, o jeito mais fácil que é pensar: “só minha atitude não vai mudar nada”. Ou “todo mundo faz, um a mais não tem problema”. E aí viramos uma verdadeira bola de neve. Sobre os carros, tem o lado cultural e a falta de conscientização em relação a natureza. Como falaram nos comentários, muitos não percebem que quem depende da natureza, na realidade, somos nós. Pode ser que o colapso demore, mas estamos caminhando para ele. Tenho esperança nas novas gerações…

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      1. Vejo mais diferença com crianças pequenas, tipo até uns 6 anos. Posso estar enganada, mas vejo eles muito espertos, atentos, com conversas mais evoluídas pra idade deles. Meu exemplo próximo é do meu sobrinho, mas os amiguinhos e outros pequenos da família são como ele. Questionam tudo, parecem já conscientes com a natureza… enfim, uma torcida!!

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