Espontaneidade em tempos de incertezas

Para os espontâneos, está cada dia mais difícil o pisar em ovos da atualidade. Em meio às incertezas, as pessoas começaram a colocar os pés para fora de casa. Os motivos são os mais variados: por se sentirem mais seguras, por não aguentar mais ficar em isolamento, por negar a gravidade do coronavírus.

A questão é que as cidades brasileiras estão cheias de gente nas ruas. E parece um caminho sem volta. Nesse contexto, como sempre, começaram também as guerras virtuais e midiáticas. Foto de praia lotada e enxurradas de críticas. Até questionarem o fato de trabalhadores estarem usando transporte público lotado todos os dias e ninguém falar nada.

Tem também os que dizem para pensar bem sobre o que posta nas redes sociais, porque pode influenciar alguém. Não coloque fotos sem máscaras, não coloque fotos com os amigos, não coloque fotos na rua. Não, não, não… Tenha empatia, é o argumento.

A ida à praia vazia, o reencontro com os amigos, a caminhada no parque e a cerveja ao ar livre tornaram-se assuntos tabus. Os mais simples atos passaram a fazer parte da complexidade do júri online. Por mais que muitos dos que criticam já tenham retomado alguma atividade social.

O que é certo e errado, afinal? Esse controle obsessivo da vida alheia fala muito de nós enquanto sociedade. Assim como as aglomerações recentes. É sempre mais fácil olhar para o outro e apontar o dedo. Raro é construir algo belo junto, pensar coletivamente. Lembre-se: não dá para fugir, somos todos um.

O que você tem achado disso tudo?

PS.: Textos novos serão publicados quartas e sábados, não mais dia sim e dia não. Caso tenha sugestões, sinta-se livre para conversar. Beijos!

Foto autoral. Flor de Teresópolis / Rio de Janeiro, 2020.

22 comentários sobre “Espontaneidade em tempos de incertezas

    1. Estevam, depois do seu comentário, fui ler sobre alteridade. E é isso que eu quero dizer. Pelo que entendi, seria se colocar no lugar do outro, entender que as pessoas são diferentes, respeitar as culturas, compreender o sofrimento alheio. Me corrija se você olhou por outro lado…

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  1. Entre conversas e flores
    os motivos são os mais variados
    quando entre homens e mulheres
    a conversa sofre ausência
    de flores, da ponte que os una
    como o amálgama se une
    por exemplo ao objeto ainda nas mãos
    da artista ou nos joelhos
    do artista, de modo que é lícito dizer
    que ausências são pedras
    grãos, gomos, bile ou água de bica.

    *****
    Darlan M Cunha
    *
    Um abraço. Boa quinta.

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    1. Hudson José Capanema

      Sempre acreditei que sairemos pessoas melhores dessa pandemia e, em diversos aspectos, entendo que isso está acontecendo! Entretanto, nesse tema, estamos involuindo! É muito fácil apontar o dedo e julgar! Eu ainda não me sinto confortável e seguro para ir a bares, praias, festas, viajar; mas não julgo quem faz isso! Cada um sabe de si! Gostei muito do termo que li nos outros comentários: alteridade! Talvez seja isso que esteja faltando!
      Dizem que aprendemos pelo amor ou pela dor. Que seja pelo amor!

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      1. Eu to como vc! Lugares cheios eu ainda não me si to confortável, mas já estou encontrando amigos no ar livre. E cada um tem uma experiência de vida, não da pra ficar apontando o dedo. Principalmente nessa situação em que cada hora a população recebe uma informação diferente. Vamos acreditar que melhoraremos como sociedade! Pode ser que demore, mas vamos botar fé 😃🙏🏻

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  2. É triste perceber que está faltando alteridade na alegria. Uma foto com os amigos postada gera mais discussão do que compartilhamento de bons sentimentos. Estamos aprendendo a julgar menos, e a se importar menos com o julgamento alheio, mas vai demorar pra aprendermos enquanto estivermos julgando o outro

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    1. Exemplo muito bom, Pedro. Isso mesmo que sinto. O foco é no julgamento negativo e não no compartilhar de momentos alegres. E você acha que estamos aprendendo a julgar menos? Pelo menos na internet, acho tão intenso e cruel…

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  3. Estamos passando por um periodo delicado em vários aspectos. Não nos cabe julgar as circunstâncias alheias. No início, víamos mais gente ignorando a pandemia, mas hoje em dia eu percebo que já não ocorre com tanta frequência. Poucos são o que ainda chamam de gripezinha. E pensando pelo lado dos comportamentos, eu penso no desespero que talvez quem agora meio que largou os bets está passando. Pode ser desemprego próprio ou na família, ou até mesmo perdas para a covid. Acho que a perca da esperança seria talvez o termo mais apropriado. Talvez esse desleixo seja uma forma de escape de quem já não espera mais nada.

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    1. Boa essa análise! Pode ser esse lado de válvula de escape mesmo… assim como as pessoas terem tanto sofrimento no dia a dia – principalmente em cidades grandes como rio – que passam a olhar o vírus apenas como mais uma coisa. É tipo a alegria do carioca no meio do caos que é essa cidades é tipo, sei lá, sobrevivência. Não dá pra julgar sem viver a realidade do outro…

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  4. Bom dia Nicole…então aqui as coisas estão indo acho que de acordo com interesses políticos e financeiros..vejo shoppings abertos lotados,bares,restaurantes a todo vapor ,transporte público lotados.ta certo levemos em conta que temos que retomar a economia nao so aqui,mas no País e no mundo..mas ha momentos que me questiono se de fato nao seja loucura tudo que acompanhamos? Sei que esse virus existe mas eu particularmente tento viver …tomo precauções,cuidados com higienizacoes..zelando pela vida de minha mãe que nao deixamos sair p rua de jeito nenhum…e apesar de tudo a vida não pára e nem pode ne…mas so lembro que o virus existe quando tenho q sair,trabalhar…caminhadas nao faco c máscara pq ninguem merece…o negocio e respeitar atitudes,diferentes e confiar em Deus para que isso tudo passe logo!
    Abraço..fica c Deus

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    1. Bom dia, querida!! Eu estou parecida com você… voltando a socializar, mas com as devidas precauções. Lugares com aglomerações eu não vou porque acho excesso. Torcendo muito para os números não voltarem a subir. Ahhh também tenho dificuldades pra fazer exercícios de máscara!! Beijos!

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  5. elcieloyelinfierno

    A globalização acentuou o caos de uma sociedade que remonta ao século XVII. O poder do centro e seu domínio sobre a mídia têm como objetivo nos ensinar como proceder em certas circunstâncias. Você me pergunta o que penso das liberdades individuais e eu respondo que cada um de nós é um construtor e juiz de seu próprio destino. Supondo que o que vou dizer não são “notícias falsas”; É errado se isolar, quando chega a informação de que em outubro e novembro haverá mais mortes por COVID19? Se você encontra amigos para ir à praia, tomar uma cerveja ou dançar e se livrar da monotonia ou da rotina, está errado? O fio é tão tênue que os seres humanos têm consciência suficiente de suas ações e do que podem fazer aos outros. Hoje a disputa pela verdade; entre pró e anti, é incentivado nas sombras pelos mesmos grupos que anseiam por maior poder econômico, semeando confusão a cada dia de nossas vidas. Uma saudação cordial.

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    1. Ótima análise! Muito obrigada! É louco perceber como as brigas entre “pró e contra” são estimuladas por aqueles que tem poder e as pessoas seguem umas contra as outras. Enquanto eles, lá de cima, seguem com a corrupção e pensando nos seus próprios interesses.
      Gostei muito das suas duas perguntas. Não dá para jugar com argumentos simples as atitudes durante esse momento em que ninguém entende qual é a verdade. Grande abraço!

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  6. É,vc vindo para o Rio,se ligar nos jornais,vai deparar às vezes com notícias do desrespeito das pessoas,com a proteção contra o vírus.Mas realmente acho aquela coisa,sabe?Os jornalistas adoram criticar os brasileiros e no meio mostram imagens de pessoas sem máscaras,também nos outros países.E não falam nada.Quantas vezes já mostraram imagens de pessoas em outros países sem máscaras,ou fora do lugar onde deveria estar?Iguais aos brasileiros.

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    1. Também reparei isso.. Tenho até amigos que estão vivendo na Europa e mostram fotos de pessoas nas ruas sem nenhuma proteção. O ser humano que está em conflito com esse momento, não importa nacionalidade ou estado…

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  7. Aliás,outros países falam do Brasil,como se fosse o pior país do mundo mas,principalmente neste ano,muito se mostrou sobre as falhas nos outros países também.Talvez tenha país com consciência maior,por parte das pessoas e das autoridades mas estou achando fortemente que não existe nenhum país perfeito,não.Acho que todos,em algum momento,alguma situação têm suas falhas.E fora os casos de corrupção,em outros países também,não é exclusividade do Brasil,não.Só que não se mostra o tempo todo os podres dos outros países,como se mostra os do Brasil,o tempo todo.

    Curtido por 2 pessoas

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