Já parou para pensar sobre os momentos que antecederam boas mudanças e/ou, digamos, conquistas na sua vida? Em num desses dias em que estava me sentindo extremamente sobrecarregada, perguntei a Deus e à lua cheia que apareceu na janela se eu estava seguindo a melhor trilha. É, a vida é feita de trilhas. A gente vai caminhando e, em certo momento, precisamos parar e decidir: “ok, agora viro para a direita ou para a esquerda?”
São esses momentos decisivos que, por menores que possam parecer, podem apresentar um futuro surpreendentemente diferente lá na frente. No meu novo exercício constante de respirar antes de explodir ou agir por impulso, fui tomar um banho longo. É incrível o poder da água na cabeça. Coloquei uma playlist de salmos e ouvi: “eu já andei chorando enquanto semeava, agora eu volto com frutos”.
O tempo de semeadura não é fácil. Já dizia Santa Teresa D’Ávila que é justo que muito custe o que muito vale. O tempo de semeadura pode ser tão complexo que às vezes nem notamos que estamos, de fato, vivendo um tempo de semeadura. Semeadura é espera com transformação, ação, movimento.
Semeadura é seguir caminhando pela trilha escolhida, respirando e conferindo se ainda faz sentido. Exaustão pode ter – e quase sempre terá – mas e a paz? Eu estava aplicando para muitos trabalhos quando minha filha tinha ainda dois meses de nascida. Cada entrevista que eu tinha, eram noites de ansiedade e planejamento de como seria. Ela ainda precisava de mim para comer, dormir, acalmar o choro. Eu não estava feliz com aquela decisão de seguir aplicando para trabalhos que eu nem sabia se queria.
Participar de entrevista com minha bebê aos prantos presa no quarto com o pai não me dava nenhuma paz. Não tinha sentido nenhum para mim. Eu estava só “seguindo o fluxo” sem nem parar para analisar se aquele era o fluxo que eu queria. Então, prestei mais atenção em mim e nos sinais até resolver que não era isso. Não nesse momento, não com minha filha tão pequena em um país que praticamente não tenho nenhuma rede de apoio.
E foi então que comecei a ter olhos para outras janelas, a pensar em outras possibilidades. E, talvez o principal, que eu não queria deixar minha filha tão pequena para outra pessoa cuidar. Foi então que acabo de perceber que entrei num tempo de semeadura, cheio de transformação e movimento. Caminho por essa trilha abraçada nas incertezas da vida, mas com a certeza de que trago paz no meu coração. Choros tenho, mas que mal tem chorar?
Com carinho,
Nicole