O mergulho mais profundo

Não é fácil perceber quando um suposto – digamos – problema está em nós e não no outro. É mais fácil olhar para fora do que para dentro. Olhar o que está dentro de nós, de alguma forma, é o mesmo que revirar histórias mal resolvidas, traumas não ressignificados, abrir feridas nunca cicatrizadas.

É mais fácil apontar o dedo para o outro. É mais fácil querer que o outro atinja nossas expectativas, que siga por onde é mais confortável para nós. Olhar para dentro é difícil. Perceber que quem tem coisas para resolver é si mesmo e não o outro é difícil.

É mais fácil querer que o outro tampe as carências do que aceitar que há uma carência. Não no outro, mas em si. E podem ser várias: carência por atenção, carência por controle, carência por afeto. Tem bastante carência andando por aí.

É difícil parar e conversar com si mesmo, tentar entender de onde vem o dedo que aponta para o outro. De onde vem o dedo que demanda do outro. Coisas para mergulhar todo mundo têm. Mas quem é que quer? Demanda coragem, força de vontade, humildade.

Mergulhar em si mesmo é aceitar que somos vulneráveis, mutáveis, frágeis. E é isso que nos faz humanos. É por meio desse mergulho, profundo e por vezes dolorido, que volta para a superfície alguém mais leve, consciente de si, bem-resolvido. Não tenhamos medo do mergulho que liberta.

Com amor,

Nicole 💛

Foto autoral. Em busca das flores / março, 2022.

3 comentários sobre “O mergulho mais profundo

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