Tudo pra ontem

Eu sempre quis tudo para ontem. Se quero alguma coisa, foco 100% até concluir ou conseguir. Mas, de uns tempos pra cá, tenho visto como essa necessidade de concluir as coisas o mais rápido possível me consome física e mentalmente. Diria que esse comportamento tem direta relação com meu lado prático demais da conta.

Os Estados Unidos tem desafiado essa parte de mim. Ao contrário do que você talvez pense, tudo aqui é burocrático e lento. As pessoas ainda usam cheque! E enviam até pelos correios como forma de presente. Gente, não tem Pix aqui. Só umas versões bem mais ou menos que pouca gente usa, conheço Zelle e Venmo. Enfim, os vários passos não tão explicados para fazer quase qualquer coisa têm testado minha paciência aqui.

Até para tirar minha licença de motorista foi um drama. As informações todas dispersas no site, diferente testes, regras. Me custou 3 idas à toa à Motor Vehicle Administration e alguns choros de frustração. Para imigrante, mesmo com carteira de motorista do país de origem, precisa fazer 3 horas de aula sobre prevenção de álcool e drogas, exame teórico e exame prático de direção*. Depois que eu entendi a ordem das coisas, foi até rápido. Mas até ter minha carteira em mãos…

Trago essa história para dizer que, de uma forma dolorida, a terra do Tio Sam está me ensinando a não pular etapas, a não tentar dar um “jeitinho”, a não buscar o caminho mais rápido e prático só porque eu quero me livrar logo. Estou sendo forçada a aprender a organizar todos os passos necessários para chegar aonde desejo.

Nessa mania de tudo é para ontem, quantas vezes cumpri etapas da minha vida meia-boca? Sem saber direito o que queria, mas querendo me livrar logo. Mas me livrar do quê? É irônico pensar que é a burocracia que está me ensinando a respirar, a viver os processos e a observar cada passo que eu preciso dar. Sigamos.

Com carinho,

Nicole

*Essa é a realidade de Maryland. Talvez seja diferente em outros estados.

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