O ensaio fotográfico estava agendado para quarta-feira, às 16:15h. O pôr do sol está acontecendo muito cedo nesse inverno que está chegando com tudo. Tem dias que três da tarde parece oito da noite. A previsão era de chuva no fim da tarde, então reagendamos para a quinta-feira, dia doze de dezembro. O dia começou às 6:30 da manhã com o sol ainda escondido e umas poucas folhas verdes que seguem resistentes na árvore seca na frente da janela.
Meu pai manda uma foto dizendo que é seu dia. Eu, avoada como tenho sido, nem sabia qual era seu dia. Passou um filme na minha cabeça. Ter sua imagem pertinho da minha casa é meu canto secreto, meu porto seguro. É lá que eu vou na agonia, na alegria, na dúvida, na gratidão. Te visitei e te visito em todas as estações do ano desde de o dia que percebi você. Vi a árvore que te dá sombra ter flores, secar, ficar marrom, esverdear.
Você é minha pausa. Graças a você não me senti sozinha durante a gravidez em um país estranho. Pelo contrário, me senti tão viva. Te ver é como estar perto de casa, difícil explicar. Meu coração se aproxima de todo amor que tenho longe, me traz calma para os medos, gratidão pelo presente. Obrigada, minha Nossa Senhora de Guadalupe, por ter abençoado meu parto, pela minha saúde e a saúde da minha filha, pela minha família, pela minha casa, pela comida de cada dia.
O pôr do sol de hoje, não tenho dúvidas, foi você dizendo: “está tudo bem, minha filha”. Eu só queria te agradecer.
💙🙏🏻
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