Ser luz na escuridão

Imagino que todo mundo, pelo menos uma vez na vida, precisou vivenciar lugares, pessoas e situações adversas. Eu diria pesados. É inevitável, não tem jeito. Sentimos tensão, angústia, fica difícil saber o que fazer. Como mudar? Adianta fazer alguma coisa?

Às vezes, preferimos “tirar o time de campo” e fazer nossa parte em outro lugar. Será que é a melhor opção? Estive pensando esses dias, após diversas notícias tristes sobre a política brasileira, que a cada desistência de pessoas com boas intenções mais difícil será melhorar o mundo.

Lembrei da experiência que tive ao visitar o campo de concentração nazista de Auschwitz. Foi uma visita bastante pesada, confesso. Nem sei se recomentaria para alguém. Entretanto, enquanto a guia explicava em detalhes a história, nos disse uma frase que ficou na minha memória: “Isso tudo aconteceu porque muitas pessoas boas apenas observaram”.

Isso corroeu meu coração. A gente continua a só observar. O que aconteceu há anos atrás nos deixa indignados, mas continua acontecendo todos os dias. No Brasil, então, nem se fala. Vocês viram o que ocorreu no Rio? João Pedro, 14 anos, estava dentro da sua casa, em uma favela do Rio.

No meio da escuridão, todavia, o bem costuma estar lá. Normalmente, são pessoas anônimas que a gente nem fica sabendo. Olha quantos filmes e livros que divulgam histórias de indivíduos que ajudavam judeus durante o nazismo. Naquele momento, pareciam pequenas ações. Hoje podemos ver que salvaram vidas. Lindamente.

Pequenas boas intenções nada mais são do que luzes no meio da escuridão. Luzes que, num primeiro momento, podem parecer insignificantes, mas, se compartilhadas, podem iluminar uma cidade inteira. “Nem a maior escuridão do mundo é capaz de apagar a luz de uma vela”.

Publicado en español por Masticadores de Letras, miralo aquí.

Foto: Nicole Guimarães. Auschwitz / Polônia, 2017.

11 comentários sobre “Ser luz na escuridão

  1. Eu ando um pouco cansada da realidade. Mas tenho me mantido afastada dos livros de história porque me deixa com a sensação de que as coisas se repetem. Eu estive em campos e roscas de guerras que antes eram cidades e fiquei a pensar no peso de tanta omissão. Aqui no Brasil, por exemplo, a quantidade de pessoas que fecham os olhos e fingem não ver e enorme. Pior e que são os que se incomodam com quem faz alguma coisa. Enfim, vamos respirar enquanto há ar

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  2. E agora o assassinato de George no Estados Unidos. Há muito estamos em um estado de deterioração moral, afetiva, humana e também racional. A naturalização do que acontece é assustadora e o silêncio dominante revela o que não temos: liderança com equilíbrio. No entanto, sou de uma geração que jamais desiste. Venceremos as trevas. Bom refletir e falar sobre. Muito obrigado. Abraço, Nicole.

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    1. Esse caso dos Estados Unidos está partindo meu coração também… tem horas que penso que a humanidade vai aprender com a pandemia, tem horas que acho que está tudo a mesma coisa. Quem seguia o caminho do bem continua nele. Quem não seguia não se transformou. Talvez precisemos de mais sustos. Também não desisto, vamos tentar espalhar coisas boas aonde a gente pode e da melhor forma que podemos. Obrigada!

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  3. Estudei com um colega polonês que me disse que seus avós escaparam dum campo de concentração devido à ajuda de soldados alemães que foram obrigados a servir, mas eram contra o regime. Achei emocionante a história dele, ainda mais por se tratar de uma pessoa incrível e inteligentíssima, que talvez o mundo não chegaria a conhecer. As vezes me pego pensando em aprender espanhol para mudar para algum vizinho. Meio sentimento de desistência ou fuga, sei lá. Mas, enquanto houver bondade, devemos no cercar disto né.

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    1. Eu amo essas histórias… os poloneses foram os que mais sofreram no nazismo. Lembro que na Cracóvia eles nem gostavam de falar sobre isso, sentia até que tinham mágoa dos alemãs. E esses soldados devem ter ajudado muitos outros e nem ficamos sabendo! A bondade na maioria das vezes fica sem nome. Boa semana! 🌻

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