Livrai-me do ego inflado

Demorei muito para começar a escrever esse texto. Já tinha o título, mas não vinha o resto. A ideia surgiu depois que soube de um surto de vaidade de um palestrante. Por coincidência, ganhei um livro dele de presente dias depois – ótimo, por sinal.

Somado a isso, vimos dois casos recentes de, digamos, arrogância: a engenheira civil, no Rio, e o desembargador, em Santos. Em ambas situações, pudemos perceber como algumas pessoas usam o que elas estão para atropelar qualquer um.

E, mais ainda, faz a gente refletir sobre como alguém pode se achar melhor só porque ocupa cargo x ou y. E olha que estamos no meio de uma pandemia e vendo como a vida é frágil, não importa renda ou status.

Sério, eu tenho repulsa dessas situações. Não consigo conversar mais do que 5 minutos com pessoas assim. Sinto um pouco de pena delas, até. Será que conseguem conversar sobre a lua? Ou sobre um artista bom que encontrou sem querer?

Você não sabe com quem está falando. Sim, pior que sabemos. É o mesmo perfil. E não chegam a lugar nenhum, apenas giram em torno de si mesmas. Não entendo de psicologia, mas vejo nesses indivíduos uma mistura de insegurança com um olhar superestimado sobre si mesmo.

Amor próprio é uma coisa, achar que é melhor do que o outro são outros quinhentos.

Essas situações de ego inflado também te causam repulsa?

Foto autoral. Ilha de San Andrés / Colômbia, 2017.

32 comentários sobre “Livrai-me do ego inflado

  1. Bom dia Nicole
    Texto interessantíssimo…Parabens por ele…então ego é uma coisa insuportável…assim como vc tbm não consigo nem ficar 5 min prox da bênção…e olha que no meu trabalho existe um ser assim…deste jeitinho…so por Jesus…e olha que mal comecou a vida e ja se acha o super funcionario aff…mto que aprender c a vida..pessoas assim nao tem nada de bom delas mesmas a oferecer..acho q ja falei sobre isso em comentários,pois então elas precisam se sentir melhores que as outras então usam de seus cargos para humilhar os que estão em sua volta….mto triste pq somos todos iguais nao importa qual profissão vc exerça pq teremos o mesmo fim…e o que vai contar não e o cargo,diplomas,conta bancaria e sim tuas ações o que vc fez de bom,deixou de bom,como ficara na lembrança das pessoas…então fazemos bom uso do poder para o bem e não para nos enaltecermos perante nossos semelhantes.fica c Deus…bj

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    1. Ótimo seu comentário, Renata!! Acho que no trabalho vira e mexe a gente se depara com gente assim. Eu sempre fujo delas, me fazem muito mal!

      Outro dia vi um vídeo interessante e a moça falava que a missão nessa vida não é ser advogado, ou médico ou sei lá qual profissão. A missão é sobre como você convive com as pessoas, suas boas ações, as sementes que você deixa etc. e acredito muito nisso. É irrelevante cargo e status. Beijos!! 🌻

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  2. Bom dia Nicole… sempre trazendo temas interessantes. A questão é que existe: existe ego inflado e ego inflamado (no caso do último, doentio). Eu particularmente me atento para não mimar este meu amiguinho… costumo dizer que meu ego é uma égua rsrsrsrs no sentido de sem vergonha mesmo. Se deixar ele fica inflado e inflamado. Brincadeiras à parte, eu primeiramente esbravejo mas depois sou tomado de compaixão… são dignos de dó. Se eles ao menos soubessem “com quem estão falando” saberiam que o respeito é um cartão de visita muito bem-vindo. Enfim… parabéns novamente minha querida amiga! Que teu fim de semana seja iluminado e feliz… beijo no coração!

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    1. Ahahaha temos que cuidar do nosso ego mesmo! E não tinha pensado no ego inflamado, faz sentido. E realmente: ao menos eles poderiam saber com quem estão falando. Aprenderiam muito! Fico feliz por ter gostado do texto. Ótimo final de semana também. Muita luz 🙂🙏🏻

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  3. mariogordilho

    Me causa repulsa também, Nicole. Esses dois episódios que vc relatou também me passaram, num primeiro momento, repulsa, mas logo a seguir, pena. É o meu exercício diário de lembrar que as pessoas estão em diferentes estágios de evolução, e têm total liberdade para pensarem e falarem o que quiserem, guardadas as repercussões legais. Lembro de uma frase do discípulo Paulo: “tudo me é permitido, mas nem tudo me convém”. Livre arbítrio. E essa decisão cabe a cada um. É difícil não julgar uma atitude diferente de seus valores, mas num exercício de empatia tenho que me lembrar que algumas atitudes minhas também podem incomodar outras pessoas. Dessa forma, melhor não julgar. Num exercício diário e interminável de auto controle. Com uma falha aqui e ali, mas com a consciência de que o auto controle nos leva a nos tornarmos pessoas melhores. E esse é o meu objetivo de vida.

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    1. Adorei sua análise, Mário! É verdade… cada um está no seu tempo. Mas é um exercício muito difícil não olhar com julgamento. Tenho tentado, mas esses casos fiquei perplexa. Acho que me deu mais repulsa por ter sido nesse momento. Criei expectativa de que as pessoas teriam mais amor e empatia com as outras, mas é um processo longo. Obrigada por citar Paulo e pelo comentário tão construtivo, com certeza será muito proveitoso para quem ler. 😉

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      1. Hudson

        Mais um lindo texto, Nicole! Sim, me causa bastante repulsa! Infelizmente, o mundo está cheio de egos inflados e inflamados! Conheci vários! Não consigo imaginar o que uma pessoa sente ao humilhar o próximo! Mas não gosto desses julgamentos e linchamentos, principalmente por não conhecer todo o contexto dos fatos e as pessoas envolvidas!

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      2. Nem tinha pensado nessa questão de linchamento, Hudson! E você está certo, é o que acaba acontecendo na internet. Isso é ruim. Mas, sei lá, talvez deixar essas situações expostas possa trazer algum tipo de consciência e as pessoas pensem duas vezes antes de tentar humilhar o outro. É complexo! Realmente sempre tem os dois lados…

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  4. Olha, devido ao tipo de público com quem eu trabalho, já estou mais do que acostumado a lidar com estes exemplares. Mas eu nem ligo mais, aprendi há alguns anos atrás a me importar somente com quem importa para mim. E a simplicidade tem tomado conta e procuro me cercar destes seres simples na medida do possível. É um belo jeito de intoxicação mental.

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    1. Também tento cair para o lado das pessoas mais simples, mas às vezes aparece uns. Tiveram dois comentários interessantes sobre julgamento… e depois fiquei pensando sobre meu lugar de estar julgando essas pessoas. Mas se ficar quieto para que continua normal, né? Enfim, complexo saber qual melhor caminho nas críticas. Bom final de semana!

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  5. Daniel Takara

    Nicole, teu texto me faz lembrar de reflexões que o Espiritismo nos propõe sobre os tipos de evolução dos indivíduos (e, por extensão, dos povos e da humanidade): intelectual e moral. Nesses exemplos que você citou, as pessoas aparentemente são evoluídas intelectualmente, mas ainda precisam melhorar bastante moralmente. Um cara que me parece ser bem evoluído nos dois aspectos é o Bill Gates: além de ser indubitavelmente um gênio, tem dedicado seu tempo, esforço e recursos financeiros para tentar tornar o mundo melhor e de vez em quando vejo memes dele em situações do cotidiano mostrando como ele não perdeu a humildade, mesmo sendo um bilionário (por exemplo, esperando pacientemente numa fila para pegar um hambúrguer, como qualquer outro cliente).

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    1. Daniel, não tinha relacionado com os tipos de evolução e faz todo sentido. E é uma análise similar à que o Mário fez. É como as pessoas bem simples que conhecemos e que são muito sábias, mesmo sem nenhum estudo. Ótimo exemplo o do bill gates! Fora os anônimos, muitas outras pessoas intelectualmente evoluídas e bem-sucedidas ajudam muito e não falam nada. Muito bom te ver aqui!

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  6. Concordo com você, Nicole.
    Mas sinto que, aos poucos, essa gente está desaparecendo do mapa; pois estão descobrindo finalmente que o mundo gira sim e não é em torno deles.
    Ainda existem muitos pseudos soberanos, que se acham mais importantes por terem cargos e diplomas, e acredito fielmente que o fim deles é ainda pior que eles.

    Muito bom ler o seu texto, me dá gás e certeza de que não estamos só. A lua tem um olho gigante do tamanho imenso dela, e olha para todes, até para quem não vê ela.

    Grande abraço,

    diego rbor.

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    1. O mundo não só hora para todos como somos todos um. Acredito que a maioria de nós está começando a aprender a olhar para o lado.

      E esse é o primeiro passo para a mudança. Torço para que eles não desapareçam, mas aprimorem seus olhares sobre o outro é sobre si mesmo.

      E não estamos sozinhos. Abraços, querido! 🌻

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      1. Este é um dos temas que gosto de trabalhar. Tenho um artigo publicado numa revista da PUC-MG sobre este tema. Chama-se Revista Horizonte. O texto é sobre o marciano na cultura contemporânea.

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      2. Revista Horizonte Volume 6. Número 12. 2008. Artigo: O Reconhecimento da alteridade como possibilidade de construção de um novo paradigma na cultura ocidental em Joel Birman e Emmanuel Levinas.
        Informação completa sobre o artigo.

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  7. Que interessante! Então você escreve a partir do título… não consigo tal feito. Aliás, escolher um título também é complicado para mim.
    Vamos ao tema… acho que no caso dessas pessoas não é ego, tampouco amor próprio. É se dar mais importância do que realmente tem e geralmente são pessoas sem importância alguma na própria vida e na dos outros. São pessoas tristes que precisam se impor através do pouco que tem a oferecer, ou seja, são um pedaço de papel. Não tenho pena. Já tive. Mas a vida dá a possibilidade de serem mais, mas elas estão estagnadas ali e estão satisfeitas.
    O cidadão de Santos, pediu desculpas num dia e atacou no outro. Mas é figura reincidente, faz isso com todos a sua volta. Acumula processos. É uma pessoa que certamente não chegou ao cargo em que ocupa por méritos.
    Sinto imensa preguiça e posso lhe dizer que no meu caso a conversa não duraria mais que um minuto. Eu faria como os pinguins de madagascar: sorria e acene. rs

    bacio

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    1. Ahahahaha adorei a comparação com os pinguins! Melhore estratégia porque prejudica nossa própria energia. Eu fico muito irritada porque na maioria das vezes tentam ferir o outro para se sentirem bem. E acho covarde. Enfim, sigo sua linha de que olham apenas para si e dão mais importância do que de fato são.

      Ah, sobre a escrita, normalmente o título bem na minha cabeça primeiro e depois do texto flui. Engraçado, achei que era assim com a maioria!

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