A vida é um sopro

Tem vezes que bate aquele sentimento de insatisfação, de frustração, de desânimo. É normal, acontece com todas as pessoas do universo. Boas opções são ler algo bonito, ouvir uma música animada, estar próximo de quem faz bem.

Ou olhar para o lado. Não, não é aquele papo de que tem alguém pior do que você ou de que sua situação é privilegiada. É sobre como a vida é passageira. E, para outras pessoas, mais passageira ainda. Um sopro. Nesse ano, por exemplo, uma menina que estudou comigo partiu por causa da leucemia.

Foi daquelas coisas que acontecem do nada. Em uns 6 meses, da descoberta ao avanço da doença, ela se despediu desta existência. Tenho certeza de que você também sabe sobre algum caso de partidas precoces. E é inevitável, pelo menos pra mim, agradecer pela vida e querer viver mais intensamente.

E o que seria isso? Viver intensamente? Outra balela, você pode pensar. Explico: Para alguns, pode ser tirar um tempo para ler livros que gosta. Para outros, estar em casa com a família. Ou conhecer vários lugares do mundo. Ficar olhando o mar. Assistir um pôr do sol. Fotografar ipês.

Termino a leitura do livro Querido Edward, de Ann Napolitano. O enredo conta a história do único sobrevivente de um acidente de avião. Familiares das outras vítimas começam a enviar cartas pedindo a ele que realize os sonhos daqueles que não tiveram tempo. Fotografe, viaje para a China, aprenda a tocar violino, seja alegre.

Viver intensamente é tanta coisa, não é?

Foto autoral. Dedo de Deus, Teresópolis / Rio de Janeiro, 2020.

30 comentários sobre “A vida é um sopro

  1. Parabéns pela explanação iluminada Nicole…e fato sim a vida e realmente um sopro…recentimente em 2019 tbm falecera uma colega minha de curso nova deixara um filho de 5 anos apenas..o que mais me surpreendeu e de que ela sempre dizia nao gostar de pessoas …nao encaixava mto isso na profissão que ela escolherá,mas o que deixava claro q o fazia pq somente precisava para seu sustento…foi embora repentinamente sem doenca aparente…mal subito..mto triste…e o que eu digo sempre hoje estamos aqui amanha nao se sabe!!
    Deixo aqui versos de André Luis
    Uma existência é um ato,um corpo uma veste.
    Um século um dia..e a morte…a morte é um sopro Renovador!!

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  2. Alex Antunes

    Olá, Nicole!
    Eu descobri o seu blog através de um comentário seu no WordPress alguns meses atrás. Desde então, sigo o seu blog. Essa, porém, é a 1ª vez que faço um comentário aqui.
    Achei interessante a seguinte frase que você disse: “(…) aquele papo de que tem alguém pior do que você ou de que sua situação é privilegiada.” Já me disseram isso e me senti humilhado por esse tipo de pensamento, pois cada um é que sabe medir o quanto a sua vida é difícil ou não.
    Em relação a brevidade da vida, acho que aí entra questões muito pessoais e religiosas, pois mesmo alguém tendo levado uma vida breve, essa pessoa pode ter-se sentido realizada ou feliz pelos poucos anos que ela viveu; ou até mesmo a morte pode ter sido um alívio para os sofrimentos da vida.

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    1. Poxa, Alex! Fiquei muito feliz com seu comentário. Muito obrigada! Tem vezes que fazemos algo e não sabemos exatamente o motivos… e me sinto assim com o blog. Sua mensagem me dá respostas!
      Ouvimos muito essas afirmações, principalmente quem sofre de depressão ou ansiedade e tem “tudo na vida”. Nem sempre ter dinheiro, trabalho, família tradicional é sinônimo de bem-estar. Na verdade, acredito que nosso bem-estar não deve depender de nenhum tipo de estrutura ou algo externo. Mas, claro, isso é muito difícil!
      E concordo com você! Nem sempre quem partiu cedo não foi feliz ou não esteve realizado. Talvez nosso exercício na vida seja pensar: se eu partisse hoje, tive escolhas felizes? Vivi o que queria viver?
      Em relação à religião tem várias questões sim, com certeza. Eu mesma acredito que a alma é imortal e essa existência é apenas uma passagem. Não sei qual sua visão sobre isso, se quiser falar mais, adoraria saber. Essa conversa rende! 🌻

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      1. Alex Antunes

        De nada, Nicole! 🙂
        Eu também fiquei feliz com seu comentário. Acredito que temos visões em comum sobre a vida.
        Gostaria apenas de fazer uma ressalva. Espero não ter parecido insensível com a questão da morte. Isso é um pouco influência de um quadro depressivo que tenho, mas eu sou também uma pessoa aberta à alegria da vida.
        Agradeço a sua compreensão em relação ao meu comentário.
        Em relação à religião, eu sou católico, apesar de estar tendo dificuldades de vivenciar a fé católica devido a problemas de saúde. Porém, eu também acredito que essa vida seja apenas uma passagem. Eu já li bastante sobre a vida dos santos e eles sempre consideravam que não é tão importante o tanto de anos que vivemos, como o quão bem vivemos: o bem que praticamos, a amizade com Deus e o amor ao mesmo Deus, ao próximo e a nós mesmos.

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      2. Imagina! Vc não foi nada insensível, falou o que pensa/sente. Isso é ótimo! Sobre a fé, não sei se você gosta, mas tem muita coisa boa no youtube. Eu tenho assistido muitos vídeos legais e tem surgido muita gente nova falando sobre coisas boas e bonitas, mas sem vínculos com religiões específicas. Pode te fazer bem, tem feito pra mim!
        No fundo, é o amor que levamos na vida que a faz ser uma boa vida. Não é o que temos de coisa material. Tanto que ajudar o próximo faz bem mais pra nós do que para aquele que recebe, né?

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      3. Alex Antunes

        Você disse: “No fundo, é o amor que levamos na vida que a faz ser uma boa vida.” Concordo plenamente com você.

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      4. Hudson José Capanema

        Linda reflexão, Nicole! Nunca fui de remoer o passado, mas sempre fui preocupado com o futuro. Hoje, vejo a vida com outros olhos! Não que eu me arrependa de minhas escolhas, porque elas refletem o que eu eu era!
        Sim, viver intensamente pode ser muita coisa. Pode ser fazer o que gosta ou até mesmo não fazer nada, se isso te faz bem! O importante é viver! E “Viver é a coisa mais rara do mundo. A maioria das pessoas apenas existe”. (Oscar Wilde).

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      5. É difícil a gente ficar no presente e desfrutar o que estamos vivendo agora. Geralmente estamos com a cabeça lá atrás ou muito lá na frente! É uma tarefa!!
        Essa frase é muito boa! Viver é sentir o coração vibrar, sentir uma felicidade interna que não depende do que vem de fora. Bem raro mesmo! Mas acho que estamos perto 🙂

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  3. Alex Antunes

    Nicole, obrigado mais uma vez por sua compreensão sobre a minha visão de vida.
    Nicole, agradeço a você a possibilidade que você está me dando de falar mais sobre religião, pois nem todos gostam desse assunto.
    Não sou um teólogo (quem me dera que fosse), sou até mesmo bastante mediano em meus conhecimentos de religião, mas confesso que é um assunto que gosto de falar.
    Sobre a questão da morte, acredito no que ensina a religião católica, mas isso não significa que eu não saiba respeitar outras visões religiosas.
    Um dos temas que mais me chamam a atenção são os temas do Juízo Particular e do Juízo Final. Acredito que esses temas me fascinam por eu ter um pai muito “durão”, severo. Eu sempre penso nas recompensas que teremos após a morte pelas nossas boas ações e, por outro lado, os castigos que teremos pelas nossas más ações. Penso que, enquanto vivemos neste mundo não temos muita noção das consequências dos nossos atos, e por isso, cometemos tantos erros ou pecados, mas que, com o passar dos anos, vamos aprendendo cada vez mais a medir as consequências dos nossos atos; dependendo isso da capacidade de cada um em receber lições do Pai do Céu ou da vida, se preferirmos dizer assim.
    Não vejo os prazeres da vida, como um sorvete, uma caminhada ou uma viagem, como coisas futeis, pois também acredito que viemos a esse mundo para desfrutar das coisas boas que existem.
    Concordo com você que fazer o bem ao próximo faz bem a nós mesmo.
    Obrigado pela dica sobre vídeos no Youtube. Eu também gosto dessa plataforma e costumo ver bastantes vídeos no Youtube. Me considero um católico ecumênico no sentido de ter um bom relacionamento com outras religiões. Nesse sentido, às vezes, ouço também alguma pregação evangélica.

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    1. Uma das coisas que passei a acreditar – ou a dar atenção – é exatamente o contrário da ideia de que uns vão pagar e outros vão receber bençãos. O Deus que acredito é amoroso, não punitivo, entende?
      Todos estão aqui para aprender e evoluir, juntos. Se uns tem uma vida pior que outros, é porque no todo tem algo desajustado. Nossa sociedade é individualista, materialista e isso impacta na vida daqueles que seriam vistos como “maus”. Talvez aquele que é rico e apenas observa o sofrimento alheio, sem ajudar em nada e pensando apenas em manter sua fortuna, age de forma pior do que aquele que rouba um celular na rua.
      Então, acho que muitas religiões limitam nossa visão e separam mais a gente. Um dos motivos seria esse de que uns são melhores e mais evoluídos que outros. Mas posso estar errada, é apenas minha visão em relação à vida.
      São boas essas conversas! 🙂

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      1. Alex Antunes

        Ao você falar na sociedade individualista e materialista que despreza os que são considerados “maus”, porque castigados; isso me fez pensar na Madre Teresa de Calcutá. Não sei o que você pensa sobre ela, visto que ela foi uma figura polêmica, porém ela lutou contra esse tipo de pensamento, contra o qual você também luta. Concordo com você que vivemos em uma sociedade individualista e materialista. Por isso, a sociedade se tornou tão hostil, com competições às vezes até selvagens. Todo esse individualismo e materialismo vai tornando a vida das pessoas infelizes, principalmente para os menos favorecidos, sejam eles financeiramente ou a nível dos relacionamentos interpessoais.

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      2. Alex, foi perfeita a parte que você falou sobre o impacto no destino do outro. Não acho fatalista, mostra como estamos todos conectados.
        Talvez a gente não tenha noção do quanto podemos transformar a vida de alguém. Seja com ajuda material/financeira ou com palavras, gestos, trabalho. Acredito muito que cada pequena ação é uma gota do oceano e que só assim vamos transformar o todo que está em desordem.
        É cada um olhando para si e tentando melhorar seu papel na terra. E esse papel envolve as pessoas ao redor: desde o moço que pede um lanche na padaria ao primo que precisa de dinheiro…

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  4. Alex Antunes

    Sim, são boas essas conversas. 🙂
    Também acredito que Deus é amoroso. Deus caritas est. (Deus é amor.) Porém Deus também é justo. Mas eu concordo com você que no todo tem algo desajustado ou em desordem. Por isso, existem tantas injustiças sociais, como você bem explicou. Quem dera que os ricos (há exceções) distribuíssem melhor a renda social (me esqueci da expressão mais apropriada) aos mais pobres.
    Também não acredito que quem sofre ou quem é pobre é porque é “mau”. Gente má e boa existem em qualquer classe social. Nós sofremos as consequências das nossas ações ou as dos nossos pais. Uma criança pode ser pobre porque os pais dela são pobres. Mas há pessoas que são ricas e que poderiam ajudar os mais necessitados. E mudar alguns destinos. Mas na prática entra o livre arbítrio de cada um, e uma pessoa vai interferindo no destino ou nos rumos da vida dos outros. E isso em uma escala grande ou muito grande é “cascata de cartas” difícil de ver as consequências dos atos de cada um. Será que eu estou sendo um tanto fatalista?

    P.S.: Quando falo em destino não estou falando em um sentido fatalista ou de fado.

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  5. Bruno Morais

    Nossa relação com a perda sempre ganhará novos capítulos, isso é conviver, criar intimidade até com o que tememos. Os dias de quem se preocupa com as virtudes da existência sempre tendem a nos fazer rever a ideia do simples. Os simples estão sempre no presente, por isso aproveitam ‘melhor’ os momentos.

    Vendo você processar suas experiências de forma escrita e com seguidores que sempre dialogam e interagem é muito satisfatório Nicole, tire suas pausas, mas não pare. Você faz bem, emissária da descompressão e da centelha da leveza.

    Desejo força e apoio aos familiares de sua amiga e a você, somos muito singulares, ainda mais nessa situação. Vide Guimarães Rosa: ‘O correr da vida embrulha tudo. A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem.’

    ‘É sobre como a vida é passageira. E, para outras pessoas, mais passageira ainda.’

    Sem competições ou comparações, que o passageiro nos sirva, nos caiba, em nossas formas. Beijos!

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    1. Bruno, sei nem como te agradecer, viu! Suas palavras foram um lindo abraço virtual e acalentou meu coração.

      Estou no momento de me desprender do que aperta e esse espaço aqui tem sido o que mais me liberta. Conversar livremente sobre qualquer assunto é uma das melhores coisas da vida.

      Essa frase de Guimarães Rosa tem tudo a ver com esse momento que estamos passando. E respeitar o fluxo com equilíbrio é o melhor que podemos fazer 🙂

      Obrigada, obrigada! Beijos 🌻

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  6. Nicole, realmente sincronicidades de Deus nossos textos se encontrarem (ontem)!! Adorei!! Adorei seu Blog!! E esse ypê amarelo de capa, lindo… tudo em sincronia… o que me fez lembrar de Rubens Alves. Ele disse: …”Não tenho medo da morte. O que sinto é tristeza. O mundo é muito bonito! Gostaria de ficar por aqui… Escrever é meu jeito de ficar por aqui. Cada texto é uma semente. Depois que eu for, elas ficarão. Quem sabe se transformarão em árvores! Torço para que sejam ipês-amarelos”… Beijos, querida!! Parabéns por suas sementes!!!

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  7. elcieloyelinfierno

    Assim é; é muito viver intensamente. Porque você não pode fazer tudo o que deseja. Mas isso está longe de impedi-lo de ser feliz. Começa com aproveitar cada nascer do sol como uma nova vida. Tenha projetos, viaje se puder, conheça outras pessoas, mas sempre pensando que a cada passo que você dá, o que você faz deve ser usado com intensidade, para enriquecer sua alma e seu corpo. Uma saudação cordial.

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  8. Ontem mesmo estava lendo um texto sobre a primeira grande guerra e, apesar de ser história conhecida de anos, estava pensativa. Foram tantas, mas tantas, vidas perdidas e, bem sinceramente falando, a troco de praticamente nada… E aí a gente olha para o agora e percebe que se não passamos a encarar as coisas de um jeito mais colorido, estaremos fadados a cometer os mesmos erros. As entrelinhas são diferentes, mas continuamos ciclicamente em meio a uma guerra sem propósito. Acho importantíssimo falarmos sobre isso, para tentarmos nos desfazer dessas amarras e aproveitarmos nosso precioso tempo com as coisas que realmente nos realizam.
    Ótima reflexão, Nic 😉 💋🌺💕

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    1. Verdade, Gabi! Também sinto que estamos num mesmo ciclo. E destruímos não só a nós mesmos como também a natureza. É uma difícil tarefa fugir dessas amarras e tentar fazer diferente. Afinal, estamos mergulhador por todas essas crenças e sistemas que nos apertam. Obrigada!! Beijos 🌻

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