O desviar da grama do vizinho

Vi duas postagens seguidas no Instagram e fiquei zureta. Fotos postadas por pessoas diferentes, com diferença de minutos, e com a mesma paisagem, mesma saída de praia, mesma pose. Tudo igual. Estavam numa mesma viagem, claro. O ponto é: Pensei que era uma publicação duplicada erroneamente por uma pessoa.

Por coincidência (se é que ela existe), dei de cara com o vídeo “Redes Sociais: Presença onisciente”, da Maria Homem. Ela tocou exatamente na ferida que tinha acabado de ser aberta em mim. Estamos tentando ser iguais o tempo todo. As redes sociais potencializam isso.

A tentativa de ser e fazer como o outro desafia qualquer faísca de autenticidade que possa existir em nós. Como emergir algo espontâneo levando como base as escolhas alheias? Os crescentes números de ansiedade e depressão estão diretamente relacionados à busca incessante de tentar ser o que não se é.

São gerações tentando repetir vidas virtuais, idealizando padrões de vida que não existem. Vida perfeita ainda está para ser inventada. A realidade é essa, ponto. É fácil dizer, então digo: A riqueza da vida está nas diferentes histórias e escolhas.

Padrões – mesmo que virtuais – foram feitos para serem quebrados. Ou desconstruídos. O que faz uma pessoa feliz não faz todas as pessoas felizes. Inspirar não é copiar. Sentimos diferente, queremos diferente. É por isso que voto: Menos olhares para lugares cheios de filtros, mais olhares para dentro de si. É sempre bonito o diferente.

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Foto autoral. Trilhas do caminho / Janeiro, 2021.

27 comentários sobre “O desviar da grama do vizinho

  1. Tanta verdade aqui Nicole.
    Hoje a sociedade está em estado de absorção e não de “individualização” (no bom sentido da palavra, não de forma narcisista). Sim, somos todos diferentes no nosso interior, deveríamos expor mais o nosso conteúdo interno e não tanto a absorção de realidades alteradas que tanto vemos. Será isto que desejamos? Como me considero sempre “do contra”, sempre fui, não é isso que quero não. Daí questionar sempre tudo. Nem nunca fui na onda do “está na moda”, a moda é nossa, é o que nos distingue da massificação. Mas isto é apenas a minha singela opinião.

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    1. Sensacional, Irina! Faz todo sentido a ideia que você traz sobre absorção e não de individualização. Obrigada! Estamos juntas no grupo dos que questionam e espero seguir assim. Seguir moda é um negócio muito apertado, tem gente que não se encaixa 🙂

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  2. Ah e individualização não no sentido de oportunidade, essas, para mim merecem igualdade para todos. Esta palavra “individualização” tem muito que se lhe diga, pode ser considerada bom ou mau, dependendo do contexto que lhe quisermos atribuir… (desculpa o acrescento)

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  3. É lógico que tive que assistir o vídeo “Redes Sociais: Presença onisciente”, da Maria Homem para variar, Nicole…. e te agradeço por compartilhar o pensamento. Há uma linha tênue entre “ficção e fique são” (para não dizer um muro rsrsrs). Acho que responde algumas perguntas minhas também. Adorei a postagem minha amiga… tenha um dia iluminado! Beijo no coração

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  4. Eu tenho muita preguiça de redes sociais. Já faz um tempo, deletei meu Facebook. Resisto no Instagram porque há pessoas que só vejo por ali e não gostaria de perder o contato, mas posto bem pouco, raramente faço stories e silencio (principalmente stories) de muita gente. Gosto mais do Twitter, mas também é possível que passe dias sem postar nada. Estou sempre me policiando para não ficar tanto nas redes sociais (incluindo aí o Whatsapp) e sobrar mais tempo para fazer outras coisas que gosto, como ler, ver filmes e séries, ouvir podcasts…

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    1. Estamos bem parecidos, Pedro! Já estou fora do Facebook tem mais de 6 anos! Instagram comecei a usar mais agora para compartilhar pensamentos e Twitter só acompanho as notícias.

      Nossa saúde mental está precisando de paz pra viver o mundo real e aí entra tudo isso que vc disse: ler, filmes, séries, escrever. Tempo pra ser o que somos. Obrigada e ótima semana! 🌷

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  5. No tempo em que morei fora do país eu era cobrado (por pessoas sem relevancia nenhuma em minha vida), para postar as fotos das minhas experiências. Não postei praticamente nada, acho que posso contar umas 3 fotos e por terem um significado especial para mim. Postei 3, mas tenho mais de 300 com certeza, que são revisitadas quando quero. São os meus momentos, e são para mim. E você tocou bem neste ponto, as pessoas querem parecerem iguais, ou felizes, ganha mais que tem mais momentos incríveis…A gente não precisa parecer nada, a gente precisa ser.

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    1. Exatamente!! Levo uma teoria de que quem tá bem resolvido mesmo pouco mostra, viu? Vira e mexe vejo pessoas que sei que tá na maior bad postando fotos arrasando. E essa questão de viagem é interessante… ou eu vivo o momento ou paro pra ficar postando. Muita doideira nesse mundo virtual! 🙂

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  6. Tem gente perdendo o sentido do que realmente importante. Por outro lado, acho que tem muita gente enxergando isso e tentando encontrar o próprio caminho. Esse último ano fiz uma verdadeira “limpeza” nas minhas redes sociais, foi a melhor coisa!

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    1. Também vejo esse despertar de algumas pessoas, Gabi! Porque também há muita coisa incrível nas redes sociais. Cada dia encontro mais vídeos interessantes no YouTube e perfis no instagram com bons conteúdos. Precisamos fazer essa limpeza que você disse e encontrar um caminho saudável. Obrigada!

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  7. Que síntese incrível, Nicole.
    Já me vi abrindo feridas e caindo nessas armadilhas inúmeras vezes.
    Colocar os pés em redes sociais hoje se tornou um desafio complicado pro psicológico.
    A cultura do consumismo exacerbado se transfigurou e se transformou dentro da internet, e quando as redes sociais estampam o fato de sermos privados de alguns privilégios através de infinitas comparações, vem aquele sentimento de exclusão, frustração, depressão e infelicidade.
    Quando nos vemos revestidos de toda essa avassaladora tendência comparativa pra encontrar qualquer tipo de satisfação pessoal, acabamos nos objetificando, mas não somos objetos de ostentação, bens, cifrões ou cargos.

    Sócrates era um filósofo grego que viveu alguns séculos antes de Cristo.
    Também gostava de passear pelas ruas comerciais de Atenas.
    E, assediado por vendedores, respondia:
    ‘Estou apenas observando quanta coisa existe que não é minimamente necessária para me fazer feliz’.

    Feiz ano novo e obrigado pelo texto, Nicole.

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    1. Raphael, que citação maravilhosa! Você sempre chega para expandir. Obrigada! É um sofrimento sufocante para a maioria de nós, tenha certeza. E é esquisito pensar sobre qual é nosso limite. Tanto para os que expõem uma vida irreal como para aqueles que se cobram por não ter essa vida que não existe. Até onde nosso coletivo vai suportar?

      Sócrates disse tudo! A felicidade está na simplicidade, naquele momento em silêncio com nós mesmos.

      Um 2021 maravilhoso pra você!

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  8. As comparações e as falsas notícias foram o pior das redes. E o mundo ficou dividido em 2 lados.
    As comparações criam sentimentos negativos dentro de nós. Observei q ninguém publica o lado triste de sua vida, e me incluo.

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    1. Ninguém publica sobre o caos na família, o emprego ruim, o casamento falido, filho que não quer nada com a vida… e aí parece que a vida do vizinho é perfeita. Mas ninguém tem vida perfeita. E os algoritmos ajudam a manter os 2 lados, porque só Lemos e seguimos pessoas que pensam o mesmo que nós. Isso também é ruim… não estamos dialogando.

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  9. Nicole,
    Ótimo texto, que proporciona muitas reflexões.
    As diferenças são riqueza e não problema.
    Também fico muito pouco nas redes sociais e uso mais para divulgar o meu trabalho e acompanhar algumas pessoas que publicam coisas originais e interessantes, como é o seu caso agora no Insta.
    Parabéns pelo post.
    Abraços

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    1. Bem observado, Antônio… as diferenças são riqueza. Vai ser mais fácil viver depois que algumas pessoas notarem isso! Não te vi no Instagram, manda uma mensagem lá para eu ver seu perfil.
      Abraços e obrigada!

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  10. Pingback: O desviar da grama do vizinho — entre conversas e flores – CURIOSIDADES NA INTERNET

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