O mais belo dos belos

Sabe uma grande diferença entre Brasil e Estados Unidos? A resistência de nossas raízes africanas. Dois países que vivenciaram a escravidão do povo africano, dois países colonizados por europeus. Um tem candomblé, acarajé, batuque, dança, cores. No outro, não se vê nada.

Os primeiros negros que chegaram ao Brasil desembarcaram no porto de Salvador, na Bahia. Lá, a gente vê. A gente sente. Tem o Ilê Ayê, que saiu pela primeira vez nas ruas em 1974 e foi o bloco responsável pela revolução do carnaval baiano.

Mas não é apenas carnaval. É um movimento de resistência e resgate da história dos afrodescendentes no país. É nossa ancestralidade, está em todos nós. E por que não vemos resquícios da África na terra do Tio Sam como vemos no Brasil?

As razões são diversas e complexas. Pesquisas e conversas me ensinaram que houve um pequeno número de transferências de famílias brancas europeias para nosso país, o que resultou numa sociedade mestiça desde sua origem.

Além disso, a escravidão nos Estados Unidos foi ainda mais violenta, até tambores foram proibidos por 100 anos. Por outro lado, em terras brasileiras, os cultos de origem africana foram expandidos para além da comunidade originária e na língua portuguesa do Brasil há centenas de palavras com origem africana, como cafuné e dengo.

Há miscigenação em nós, uma honra. E, falando nisso, até 2024, está em vigência a Década Internacional de Afrodescendentes, ação promovida pela ONU com o lema “Pessoas afrodescendentes: reconhecimento, justiça e desenvolvimento”.

“Esse brilho negro é brilho da paz, é o brilho do amor, é a força do Ilê Ayê…”

Foto: Site do Ilê Ayê.

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*Agradecimento especial ao leitor Vagner, de Salvador, que me apresentou o Ilê Ayê.

20 comentários sobre “O mais belo dos belos

      1. Excelente artigo Nicole! Concordo consigo. E Salvador da Bahia é uma cidade lindíssima, mística e especial. Aliás, o Brasil é um país maravilhoso! A minha bisavó nasceu no Rio de Janeiro e regressou 26 vezes àquela que considerava a sua pátria. Eu visitei o seu país 3 vezes e espero voltar um dia.

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      2. Que triste, mas também que incrível, Renata! Nossa história tem muita informação rica que muitas vezes deixamos pra lá. Meu orgulho também é imenso!!! Tenho esperanças de que agora vamos caminhar só por um país mais justo e sem preconceitos ✊🏽✊🏻✊🏿

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      3. Verdade Nicole ao mesmo tempo que e triste e incrivel..torço nao so pelo nosso País mas por um mundo mais brando,melhor,calmo,sem tanta maldade,crueldade e preconceitos no coração de nós todos..
        🌺🌻😊😘

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    1. Excelente artigo Nicole! Concordo consigo. E Salvador da Bahia é uma cidade lindíssima, mística e especial. Aliás, o Brasil é um país maravilhoso! A minha bisavó nasceu no Rio de Janeiro e regressou 26 vezes àquela que considerava a sua pátria. Eu visitei o seu país 3 vezes e espero voltar um dia.

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      1. Que demais, Filipe! Eu também nasci no Rio de Janeiro. Apesar de não termos tanta raiz africana como salvador, também temos bastante… o samba e batuque são exemplos! Torço para que você volte mais vezes ao Brasil. Já viajei bastante, mas ainda não encontrei um país tão maravilhoso e abençoado como o meu. Um beijo e ótimo final de semana! 🌻

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  1. Nicole, meu livro sobre Alteridade e Sentido Ético da Religião está em fase de lançamento. Dia 24/02 às 18h será a live de lançamento. Será pelo insta da Editora @brazilpaublishing ou pelo meu @estevammatiazzi.
    Agora que fiz minha propaganda (rsrsrsrsrs), digo-lhe que textos iguais a este precisam ser divulgados e escritos por mais pessoas, já que, infelizmente, apesar de toda a resistência por parte dos defensores da religiosidade, da religião e da cultura de matriz africana, o Brasil caminha rapidamente para a extinção desta matriz. Além de todo o etnocentrismo, racismo e preconceitos históricos para com tudo que diz respeito aos negros (considerando, por exemplo, suas práticas e rituais religiosos como coisa do mal, do diabo), mais, recentemente, movimentos religiosos (importados dos EUA) ampliaram ainda mais a perseguição e demonização destes grupos. Basta observar os sensos de 1940 para cá. O número daqueles que se declaram adeptos de religiões afro-brasileiras cai a cada ano.
    Abraços.
    Se der acompanhe a live no dia 24. Falarei um pouco do livro que aborda exatamente este aspecto de desconsideração do outro e de suas crenças.

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  2. Interessante abordagem.
    Penso que no Brasil, a cultura afro será extinta, se a realidade atual persistir. O Brasil caminha para um domínio protestante, semelhante ao q há nos EUA, mas diria que muito mais radical do que lá.
    Espero estar enganada. Rsrs

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    1. Será? Confesso que não sinto isso, mas pode ter a ver com meu meio. A maioria que convivo não segue religião ou é católico ou espírita. Vamos ver! Torço demais para que a cultura afro seja cada vez mais fortalecida. Feliz que gostou do conteúdo! Um abraço!

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  3. Bem, não concordo com a diferença apontada e explico-me… nos Estados Unidos há resquícios culturais africanos em muitos lugares.
    A Soul music é um exemplo disso. É um gênero poderoso que teve sua origem na necessidade de expressão do povo negro de ser ouvido e falar ao mundo sobre as questões sociais e políticas. Ray Charles, James Brown, Aretha Franklin, Nina Simone, Marvin Garvey são exempls da resistência por lá.
    O próprio rock in roll tem muita influência negra. Tanto que os brancos não podiam “requebrar” no ritmo do pecado, porque não era coisa de branco. Mas o ritmo venceu o preconceito e muita gente não se lembra da dificuldade que foi para negros se apresentarem por lá.
    O Blues é outro gênero que se desenvolveu a partir de raízes das tradições musicais africanas, canções de trabalho afro-americanas, spirituals e música tradicional.
    Creio eu que a diferença está no grupo de negros levados para os Estados Unidos dos que foram trazidos para cá. Mas, principalmente na segregação obvia que os negros enfrentaram por lá. Aqui, á a hipocrisia e as pessoas não afirmam o preconceito. Consideram empregadas (em grande maioria negras) como pessoas quase da família e dizem sem dificuldade que tem até amigos negros.

    bacio

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    1. Oi, Lunna!! Meu objetivo foi compartilhar como nos Estados Unidos as raízes africanas foram mais “apagadas” ou ajustadas aos modelos europeus. A Soul Music e o Jazz & Blues, na verdade, são a prova disso.
      Negros eram proibidos de usar tambores para cantar/dançar e precisaram recorrer aos instrumentos dos brancos, assim como a usar o próprio corpo na música, caso da música Gospel americana.
      A cultura negra é presente nos Estados Unidos, mas, pelo que vejo comparando com o Brasil, distante de suas raízes africanas. Outro ponto em que você pode ver isso é a culinária.
      No Brasil, temos raízes africanas presentes em praticamente todo lugar. Seja na música ou no prato de comida ou na dança. Nos Estados Unidos, não se vê.
      Veja se ficou claro agora. Obrigada por suas colocações!

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      1. Cara mia, eu entendi o seu argumento. Apenas discordo um bocadito dele. Até por saber que houve uma busca por tipos negros específicos nos dois países. O Brasil sempre buscou braços para a lavoura. E ao financiar a higienização da população através da imigração, também buscou pessoas para o cultivo, uma vez que considerou que os mestiços seriam propícios ao país tropical.
        Nos Estados Unidos, em momento algum, se pensou a mistura. Se financiou a segregação. E não foi nada fácil preservar certos ritmos e hábitos africanos. Tanto que mesmo com toda a força, o Soul, o Blues e o próprio Rock foram considerados impróprios durante muito tempo, sendo limitados a um determinado espaço-núcleo.
        No Brasil com a idéia de mestiços, se preserva quase tudo. Sempre achei curiosa essa mistura que faz surgir novos elementos.

        Enfim, são apenas argumentos a respeito do diálogo proposto. Bacio

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      2. Verdade, Lunna. A “mistura” é um grande diferencial no Brasil e o que, sem dúvidas, favoreceu a continuidade de traços da cultura africana.
        Sua observação sobre a diferença entre os países africanos foi ótima para não generalizarmos toda África. Tem muitas diferenças entre cada país. Obrigada!

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