Papo de Uber

Foto autoral. Folhas do outono, Columbia / Novembro, 2021.

Tem umas conversas que rolam no Uber que marcam a gente. A última que tive, com destino ao aeroporto, foi com um motorista de uns trinta anos, recém-casado e morador de Magé. Chamado aqui de Daniel. Nosso papo passou por relacionamentos abusivos, casamentos saudáveis, fidelidade e padrões familiares. Nem parece que foram apenas vinte minutos de viagem.

Daniel me contou a história dos pais. Agora são divorciados e a mãe passou por bons perrengues nas mãos do marido abusivo. Ele disse que nunca presenciou qualquer violência física, mas viu como as palavras do pai eram cruéis para a mãe dele. “As palavras podem ferir profundamente uma pessoa”. Recomendei a série Maid, trata exatamente disso.

Saindo dos pais, ele contou que faz de tudo para ser um ótimo marido para a esposa. Incentiva a carreira dela, gostam de cozinhar juntos, valoriza o individualismo de cada um. Foi engraçado quando ele disse que foi a um churrasco de amigos militares e eles não acreditaram que Daniel não proíbe a esposa de olhar o celular dele. “Quem não deve não teme”, foi o que respondeu.

Daniel tinha uma visão de tirar o chapéu sobre sua história de vida. Comentou que tem coisas de família que parecem maldição, porque vão se repetindo. Ele não sentia raiva do pai, entendia que o avô foi muito autoritário e nada afetuoso com o filho e as coisas foram se repetindo. São os padrões familiares, soltei para ele. Mas tem como a gente quebrá-los, principalmente quando notamos que eles existem.

Curioso é que dias antes estava falando justamente sobre isso com minha vó. Fui resgatando a história dela desde a infância até chegarmos aos dias de hoje. Observamos como algumas situações vão se repetindo, tanto na vida dela como na das filhas. Expliquei o que sei sobre os padrões e ela achou interessante porque nunca tinha ouvido falar sobre isso. Não existe geração melhor ou pior do que a outra, o que existem são os novos conhecimentos que podem nos libertar de muita coisa. Até quebrar os padrões.

Beijos e nos vemos na próxima crônica,

Nicole.

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