Extremismos só criam abismos entre nós

Assunto polêmico, eu sei. Mas você também já está cansado de ouvir termos como fascista, esquerdista e comunista? Sou bem segura em relação ao meu posicionamento político e no que desejo para o mundo, mas o extremismo que estamos vivendo no Brasil me cansou. E não importa de que “lado” vem.

Parece que estamos no meio de um Vasco e Flamengo e o objetivo é apenas ver seu time vencedor. Está passando em branco que somos pessoas, indivíduos, brasileiros. No fundo, imagino eu, a maioria quer o melhor para o país. Claro que temos que criticar, mas não trocar farpas o tempo inteiro com qualquer pessoa que pense diferente de nós.

O que quero dizer é que precisamos escutar o que os outros têm a nos dizer. E não estou me referindo aos políticos, mas às pessoas que encontramos pelo caminho e que possuem pensamentos diferentes. Sim, talvez eu esteja sendo utópica.

Darei um exemplo para clarear. Aos sábados, frequento um trabalho voluntário em uma cidade de Goiás que fica a uma hora de Brasília. Apenas 5 pessoas se dispuseram a ir e, em uma peça da vida comigo, todas votaram no Bolsonaro. E eu claramente sou contrária às ideias dele.

Mas tem dois sábados que me permiti entrar no assunto política com esses outros voluntários. Já sabia que eles são pessoas com corações maravilhosos, mas quis escutar as suas motivações para acreditarem no atual governo. Conversamos tranquilamente: eles argumentaram e eu argumentei. Sem brigas. Desconstruí algumas ideias e eles também.

Esses indivíduos não são fascistas e eu não sou comunista. Sigo discordando, mas não entro mais nessa de compartilhar ódio. Definitivamente, não vai ajudar em nada o meu país. Só o diálogo pode melhorar o cenário que estamos vivendo, não tem jeito. A ofensa só deixa as pessoas cegas. Só aumenta o abismo entre nós.

Sei que posso receber muitas críticas com esse texto, mas ainda acho que só o amor transforma.

Vamos continuar essa conversa? Estou aberta para ouvir a opinião de vocês.

Foto autoral. Dia de inverno / Brasília, 2020.

56 comentários sobre “Extremismos só criam abismos entre nós

  1. Bom dia Nicole…tema polemico sim..mas nada que não saibamos expor as opiniões diversas na clareza e paz…tbm sou a favor de um País,Mundo melhor..sei que o planeta vem passando por tribulações,transformações significantes. Ate msm no âmbito politico..e claro isso mexe com todos psicologicamente,intelectualmente falando…no meu ponto de vista vejo um cenário politicamente falando conturbado porém com pessoas interessadas em arrumar a casa torcemos para isso se conseguirem pq e tarefa mto dificil onde interesses pessoais estão em disputa…e o Poder sempre ele o Poder que acaba c tudo a menina dos olhos,mas vale lembrar que acredito que o Poder negativamente usado so nos causa estragos pq permitimos…é aquele negocio quer conhecer o ser humano de poder a ele e verás…mas enfim oremos e confiemos no Amor pq so ele transforma…confiemos em DEUS pq com Fé podemos tudo…fica c Deus .lindo fds a vc.bj

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    1. Disse tudo, Renata! O poder sobre à cabeça e é o que destrói com muita coisa. E existe até o poder do conhecimento… Pessoas que estão de um lado ou do outro e acham que tem poder intelectual maior que a outra e, por isso, não aceitam escutar o lado “oposto”. Vamos torcer para a situação melhorar! Lindo final de semana pra vc também!

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    2. elcieloyelinfierno

      Reflexões claras e concretas sobre a sua entrada! Quem joga o vestido, coloque-o. Como não concordar com você, meu amigo. Desde a primeira Revolução Industrial, somos pendulares e funcionais para os políticos da época, que governam sob o poder econômico interno ou externo. Maquiavel já disse isso em “O príncipe” … o ódio gera mais ódio e favorece apenas aqueles que desejam governar em uma “fantasia da democracia”. Uma cordial saudação.

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    1. mariogordilho

      Nicole, penso exatamente assim. Fugir dos extremos me parece a saída mais correta em tudo na vida, não só em politica. Até em futebol! Fugir de ideologias também, não as confundindo aqui com valores. É nisso que entendo que devemos nos fiar: valores pessoais. Mas não é isso que estamos vendo acontecer em todo o mundo. Bem, acredito que esse movimento extremista veio para nos ensinar algo. Creio que haverá um grande expurgo por aqui nos próximos anos. No campo político, estou há 20 anos no Executivo Federal, boa parte no antigo Ministério da Fazenda, e posso te dizer que se todos pudessem ver a máquina funcionando de dentro seríamos menos extremistas, menos torcedores de futebol, em ideologias políticas. Mas isso tudo faz parte da nossa evolução. Em pouco tempo, espero, um texto como o seu, tão sensato e até óbvio sob a ótica do senso comum, não poderá ser mais considerado polêmico. Será o nosso default. Rezemos!

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      1. Caramba, Mário! Você disse algo que sinto o tempo todo no meu trabalho e não conseguia expressar. É exatamente o que vejo! Muita gente ralando para deixar o país melhor e quem está de fora só bate. E o que motiva àqueles que tiveram que trabalhar até nos finais de semana é apenas ajudar o país. É mais fácil julgar do que realmente colocar a mão na massa. E também criticar aquilo que não conhece.

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  2. Nicole, você não está sendo utópica. Já estou praticando este exercício. No começo eu batia de frente com todos que eram contrário as minhas ideias. Aprendi a ouvir e respeitar o que o outro pensa, sem no entanto eu mudar no que acredito. Parece que está dando certo. Finalizando, acredito que sempre temos que tentar mudar aquilo que não está dando certo, através do dialogo e se possível do convencimento. Se não der, a amizade continua a mesma. Você é sensacional!!!!

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  3. Nicole, o meu primeiro instinto é pensar/agir exatamente como tu falas. Isso é o que a minha natureza pede: ponderar, equilibrar, racionalizar. E nisso, não cabe nenhum tipo de extremismo. Mas penso, que isto é aplicável quando temos algum nível de ” normalidade”- que é exatamente o que não temos no momento. Então a minha dúvida/questão é até que ponto o ponderar nos leva àquele lugar onde balancear as coisas colabora para que o pior aconteça. Qual é o limite para aceitarmos o inaceitável? Não é sobre isto que estás falando, eu sei…. tô dividindo contigo esse meu empasse , que é saber o limite onde o ” não resistir” se torna imediatamente um ” agir a favor do que está errado”. Eu tô de saco cheio de ser chamada de comunista… tô a léguas de distância de ter qualquer ideologia. Na posição que me encontro, ou sou “comunista” ( para o povo da direita) ou sou “isentona” ( para o povo da esquerda). Tá difícil ser normal hoje em dia, mas quando paro pra pensar, vejo que a única coisa que efetivamente resolve é AGIR, como ( pelo que li neste texto) ages. Ações concretas, voluntariado, a tão falada empatia, só fazem diferença quando são ação e não discurso ou militância vazia de movimento. No final de tudo, não interessa muito o que você pensa, mas sim o que você faz. Se as pessoas agissem mais, os discursos se esvaziariam, e às vezes isso é o melhor que pode acontecer.

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    1. Que bom um comentário seu! Adorei seus textos e espero vê-la participando mais aqui! Então, a questão não é aceitar, mas dialogar mostrando a própria posição e estar aberto a escutar a do outro.

      Por exemplo, quando conversei com essas pessoas que citei, perguntei o que eles achavam do desmatamento na Amazônia e comentei sobre os dados que dizem que houve um aumento nesses últimos tempos.
      Perguntei também o que eles acharam do vídeo do presidente tomando leite, se achavam normal a postura.

      Minha estratégia está sendo não fechar o diálogo e questionar para fazer o outro pensar. Não tô apenas jogando minha opinião, entende? Acho que esse exercício faz as pessoas refletirem e não apenas reagirem.

      E o final do seu texto é sensacional! É muito fácil a gente falar que quer igualdade e um mundo melhor apenas nas redes sociais. Discurso não muda a vida de ninguém, mas uma entrega de cesta básica sim (por exemplo).

      Enfim, temos que continuar resistindo contra aquilo que não acreditamos, mas notando que apenas gritar não está resolvendo nada. Às vezes acho que está até piorando, viu…

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      1. Daniel Takara

        Nicole, acho que é bem por aí mesmo. Falta pré-disposição para o diálogo. Muitas vezes isso pode ser difícil porque não é “cognitivamente confortável” abrir mão das nossas referências e tentarmos de verdade enxergar os fatos da vida sob o ponto de vista de outra pessoa. Além disso, requer uma certa humildade aceitar de verdade que podemos não estar certos a respeito do que pensamos ou aceitar que opiniões diferentes não necessariamente se excluem mutuamente. Neste assunto, gostei muito desta palestra do TED: https://www.ted.com/talks/daryl_davis_what_do_you_do_when_someone_just_doesn_t_like_you/transcript

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      2. Que bom te ver aqui, Daniel!! Acho que você vai adorar as discussões. Os comentários têm sido mais ricos do que os textos em si. E concordo com o que você disse: estar aberto a conhecer o novo abala o que está cômodo e também requer humildade. Obrigada pela indicação do TED! Vou assistir!

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  4. miragem da objetividade

    Tem que existir oposição para existir democracia. O diálogo tem que ser sustentável entre as partes, alcançar a sobriedade dos argumentos é a grande peleja! Ao meu ver, hehe. Estamos sempre inundados e ébrios de emoções e delírios de grandeza muitas vezes. Trazemos uma grandes cargas, uns de conservadorismo, outros de ideais, para que não seja direita ou esquerda mas ‘a frente’, a gestão dessas emoções tem que ser feitas, mas a custo de que, né? Até quando?

    Pra mim só poderia votar ou se eleger se estivesse ao menos 3 meses na terapia! Kkkk Essa é a política pública que eu vejo pra um futuro utópico. Além do que, a matéria ‘Terapia’ desde o maternal, quiçá ensino fundamental.

    Na medida do possível, que seu final de semana seja leve Nicole! Irei te seguir no instagram assim que me aliviar de algumas demandas aqui, acompanhar seus textos em outra plataforma, quem sabe agregar ou colaborar com alguma visão, abreijos!

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    1. kkkkk, adorei a ideia da terapia! E sua frase “Estamos sempre inundados e ébrios de emoções e delírios de grandeza muitas vezes” foi sensacional. Exatamente isso!

      Parece que está todo mundo doido brigando sem de fato saber o que quer ou como fazer. Sei lá. Tô tentando seguir uma estratégia saudável, porque está esquisito!! E te espero lá no instagram também! Beijos

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      1. miragem da objetividade

        kkkkkk, repetir até fixar! todos, independente, façam terapia, alô governantes, vocês principalmente, se estiverem lendo isso, façam!!! Deem chances e não se arrependerão.

        A estratégia saudável é sustentável, e tem que ser coletiva, ao meu ver. Queremos impor nossa opinião muitas vezes e não expor, aí essa conversa de política para ela fluir tem que ser entre esclarecidos e desinflados de muitas emoções. A gente coloca a carroça na frente dos bois frequentemente, eu me flagro muitas vezes assim, mas estou conseguindo enxergar melhor minhas impulsividades, interpretações e achismos! Esse diálogo sobre política dá pano pra manga, e tem que dar mesmo, o estado, as políticas públicas tem que ser mais sóbrias e com mais discernimento! Oremos, a nossa maneira. Abreijos.

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      2. Também me vejo muitas vezes tomada por raiva e impulso em ir para o embate. É muuuito difícil ter controle e manter o diálogo, mas é um exercício que precisamos buscar. De pouco em pouco, pode ser que a gente consiga um despertar coletivo. Mesmo que demore! Beijos 🌻

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  5. Hudson

    Parabéns, Nicole, pela coragem de trazer tema tão polêmico! Firmei uma posição de não comentar ou curtir quaisquer comentários nessa linha, independente do lado! Pensei muito antes de deixar esse comentário, mas, por respeito a você, resolvi fazê-lo! Desde que eu te conheci sabíamos que tínhamos divergências políticas, mas isso não nos impediu de sermos amigos! Talvez, por mais paradoxal que possa parecer, por termos muita coisa em comum, em especial o bem do próximo! Detesto extremismos, principalmente quando alguém se acha o dono da verdade (ambos os lados) e não admite ouvir o que outro tem a dizer! É triste ver amizades de anos desfeitas, rachas nas famílias, ofensas absurdas de ambos os lados!
    Estou com você, não sou fascista e não te acho comunista. Sigo discordando de você acerca desse tema, mas mantenho o respeito, admiração e carinho por você! 😍

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    1. E eu já fui muito brava com você, né? kkkk Mas tem o lado bom porque te deixei “progressista” em vários aspectos e você também me mostrou como a “esquerda” tem muita coisa errada.

      E acho que é isso, as pessoas tem que aceitar conversar. Todo mundo tem algo a ensinar e ninguém é melhor que o outro. Não é uma luta entre o bem e o mal. Tem gente fazendo o bem e o mal em todos os lados! E meu carinho por você é pra sempre! 🙂

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  6. O grande desafio é o de expressar as nossas opiniões sem parecer rude ou extremista, afinal, sempre seremos rotulados. Eu não estava no país quando a polarização tomou a maior forma e nem participei de todo o fervor das últimas eleições. Mas, quando voltei pra casa, era como se estivesse diante de um monte de galo de rinha todos depenados apontando os dedos um nas caras dos outros. Eu sou sempre rotulado de isentão, pois eu consigo ver e elogiar as coisas boas de ambos os lados, e critico também as coisas ruins de ambos. A única discussão a que eu tomo partido sem arredar o pé é a que eu sou um bolachista e não um biscoitista 🙂

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    1. Ahahahahaha, mas você sabe que biscoito é o certo! Isso não tem nem discussão! E imagino seu susto quando voltou para o Brasil. Nossa, as coisas tomaram uma proporção surreal. E agora com a pandemia tenho achado o cúmulo do absurdo.

      Eu sempre caio mais para “esquerdista” e “comunista”, mas depois desse texto devo migrar para “isentona”… Ai ai… essas manias que o povo tem de enfiar a gente em caixinhas.

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  7. Biscoito só de polvilho! Isso me lembra uma história engraçada, quando eu dividi aluguel com uma portuguesa e a gente vivia discutindo qual era a pronúncia correta dos números dois e sete. Ninguém ficava perto, era um looping infinito de discussão!

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  8. Renata Barretto

    Nicole!!! Encantada com o blog, com seu texto e com tantas pessoas bacanas participando da conversa.
    Parabéns, minha linda! Sempre digo o tanto que te admiro. Você voa, você ultrapassa fronteiras e quebra paradigmas… E tudo sempre de forma tão leve!
    Críticas ao texto? Só elogios. Concordo com essa abordagem. Não se faz necessário tomar partido. Concordo que o desafio é, mais do que nunca, saber ouvir e ponderar, ter empatia e treinar a visão de outro lado da história. Concordo que tudo isso com amor é o que faz crescermos enquanto pessoas e agirmos em pró do país. Você está num caminho lindo! Siga firme e continue contando comigo, sempre! Vamos juntas! Você faz a diferença no mundo! Te adoro! Parabéns!!!

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    1. Ahhhhh fiquei emocionada!!! Você sabe o quanto me ensina sobre empatia, gentileza e calma! Estou amando escrever nesse espaço e poder conhecer e conversar com tanta gente especial. Acho que estamos precisando disso: um lugar que podemos simplesmente falar e ouvir. Também te adoro e fico muito feliz por saber que você está gostando! E siga voando e florescendo cada vez mais. 🙂

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  9. Há 20 anos em sala de aula (na condição de professor de Filosofia, Ética e Ciências da Religião), e mais 10 anos nos altares de igrejas (na condição de frade franciscano), ou seja, são 30 anos que venho tentando ajudar a construir uma mentalidade com menos dicotomias numa visão mais holística… Mas, Nicole, são quase 3.000 anos de dicotomias, então, os 30 anos de minha experiência de vida devem ser somados às suas experiências e de tantos e tantas outros/as pessoas para quem sabe daqui 300 anos tenhamos mais gente a pensar holisticamente… Paz e Bem!

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    1. Nossa, Estevam! Que história de vida você deve ter. Muita experiência rica! Você tá certo… são anos com esses paradigmas (posso chamar assim?) e é um processo longo para alcançar a transformação. Tenho sentido que as crianças e até adolescentes já estão bem fora da caixinha, eles são minha esperança. Mas talvez a gente precise de muitas gerações pela frente… Ótimo final de semana!

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  10. Exato! Um dos temas que mais trabalho no final no Segundo Ano E.M é exatamente, a importância da quebras de paradigmas… Mas, como dizia Einstein: E´“É mais fácil desintegrar um átomo que um preconceito”… Preconceitos são filhos de paradigmas… Logo, para mudarmos paradigmas precisamos começar por seus filhotes… Ou seja, não é uma tarefa fácil, mas, estamos no caminho a caminhar…

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      1. Paradigmas são padrões de comportamentos arraigados na sociedade, uma espécie de verdades absolutas, ou dogmas, que não admitem o contraditório… Assim se formam os preconceitos…

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  11. Mary

    Falou tudo. Acho que a intolerância hoje em dia estar em todas as etapas da vida do ser humano, seja na religião, política, futebol e até mesmo no núcleo familiar. Enfim, na vida como um todo. Há anos venho tentando não me envolver nesses assuntos, sempre tentando não polemizar, mas nunca deixando de me posicionar, tentando educadamente, mas com firmeza colocar a minha opinião e visão sobre qualquer assunto, com aqueles que aceitam opiniões divergentes das suas, o que são raros, mas como você bem falou, ainda existem, Graças a Deus. Não sou de direita, nunca fui, mas tenho minhas reservas com a esquerda. Não escolhi esse presidente, mas torço pelo Brasil, embora esteja difícil ultimamente , ou seja, sou pelo povo e seus direitos. Como funcionária fui tachada de várias coisas, salário fácil, não faz nada, só bate papo, quando na realidade sabemos que é bem diferente a realidade. A intolerância hoje é um grande problema, me atreveria a dizer que quase uma epidemia mental. No momento em que todos têm razão em seus posicionamentos, em que não se admite opiniões contrárias, politicamente só vejo extremistas, cada um com suas razões radicalmente impostas. Parece que a única preocupação é dizer que o outro não tem razão.
    Respeitar posicionamento contrário, essa é a grande questão, posso debater, argumentar, mas sem violência, como você bem falou, com argumentos lógicos ao nosso entender, não com gritos, mesmo que sejam virtuais.
    Contudo, parece que basta uma manifestação contrária ao que o outro pensa para que as ofensas sejam generalizadas. E aonde se chega com essa agressão verbal e às vezes até física? Eu respondo, a lugar nenhum … E as redes sociais ultimamente, o que nos parece? Tbm ao meu entender lhe respondo; viraram campo de batalha, onde a agressão verbal já faz parte do cotidiano, por isso ando um pouco ausente delas. A ignorância e o extremismo, os quais andam lado a lado, tornou esse meio de comunicação em um verdadeiro campo de batalha, infelizmente. Mas como sou uma sonhadora e acredito ainda no ser humano, acho que a boa vontade à de prevalecer… Bjs amei o seu texto, bem a realidade que vivemos.

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    1. Sinto o mesmo que você… a intolerância está além da política e as redes sociais viraram um campo de batalha. Tem um outro comentário bom aqui que fala sobre a gente realmente fazer algo prático para melhorar o mundo, ao invés de ficar brigando em rede social. Tem infinitos projetos sociais, família e crianças precisando de comida e educação, projetos ambientais. Enfim, não vejo nenhum resultado positivo ficar brigando o tempo todo e 99% das vezes na internet. Talvez seja até mais fácil do que colocar a mão na massa. Espero que esse espaço te traga melhores conversas que as redes sociais, tem muita gente boa participando 🙂😘

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  12. As pessoas estão cegas, a disputa ficou tão absurda que perdeu o sentido. E o pior de tudo é que nem era para ser uma disputa…
    Eu confesso que ando desanimada para tentar conversar com as pessoas sobre este assunto, e olha que sou daquelas que não desiste fácil. Mas a intolerância tem sido tão gigante, que está muito difícil. Às vezes vejo as pessoas se ofendendo e falando abobrinhas que nem tem relação com a política em si, só defendem com unhas e dentes candidatos que nem sequer conhecem. A discussão, em sua maioria, já não é mais política, por isso fica tão complicado. Eu hoje, lido diferente. Não entro mais no mérito da política em si, tento espalhar, com o que posso, sementinhas, não para que as pessoas concordem comigo, mas para que pensem e cheguem as suas próprias conclusões de maneira consciente e com muito amor no coração, tanto na hora de expor opiniões como na hora de ouvir a do outro. Porque como você mesma disse, só o amor transforma 🌸

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    1. Está terrível, Gabi! Eu confesso que meu impulso está sendo fugir das brigas, mas quando tenho uma brecha pacífica jogo umas sementes, assim como você. É tanto barulho que ninguém escuta nem o que está saindo da própria boca – ou dedo, porque fica mais no mundo virtual.

      E é como está num outro comentário: mais importante do que falar, é agir. O que cada um está fazendo de boas ações para melhorar o país e o planeta?

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  13. elcieloyelinfierno

    Reflexões claras e concretas sobre a sua entrada! Quem joga o vestido, coloque-o. Como não concordar com você, meu amigo. Desde a primeira Revolução Industrial, somos pendulares e funcionais para os políticos da época, que governam sob o poder econômico interno ou externo. Maquiavel já disse isso em “O príncipe” … o ódio gera mais ódio e favorece apenas aqueles que desejam governar em uma “fantasia da democracia”. Uma cordial saudação.

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  14. Olá Nicole, já que está aberta à discordâncias, fico à vontade para concordar… em parte.

    Sem dúvida o espírito por trás do que escreveu é de generosidade, muito importante, tanto pessoal quanto coletivamente! É acho que é essencial partirmos desse ponto de vista para darmos espaço o suficiente a nós e aos outros, suspendendo ao máximo possíveis preconceitos que poderiam impedir entender melhor como cada um chegou à paisagem mental à partir da qual fala, mas….

    Julgo ser muito difícil falar em extremismo sem “sucumbirmos” ao risco de permanecer num espaço muito abstrato e ver-se forçado, para retornar daí, a adotar o mesmo reducionismo disjuntivo que nos leva a identificar (sempre nos outros) o assim chamado extremismo. Por exemplo, pode-se observar as políticas do governo e, em função das consequências a determinados grupos/classe/categoria ou pelos tipo de (i/a)moralidade que as sustenta, se opor radicalmente à elas. Até acredito que possamos ser reflexivos sem sermos radicais, mas também acredito que sem radicalidade, ante àquilo que nos agride moralmente e, não raro ameaça mesmo a sobrevivência física e mental, caímos num relativismo muito conveniente à qualquer que seja a situação/status quo sócio-político e econômico, mantendo sua reprodução e hegemonia.

    As pessoas podem refletir e discutir, de fato, de forma mais ambígua e concessiva, mas a tendência sempre será radicalizar-se em algum ponto do espectro formado pela reflexão/discussão (e é claro que a própria reflexão/discussão transforma, amplia, ou estreita esse espectro). A radicalização não é um extremismo, mas uma convicção, e pelo que entendi você não está dizendo que não.

    Coloco a questão da radicalidade por 3 razões que percebo como equívocas na maioria das conversas dessa natureza (ou de escape delas) para a qual está reivindicando um importante equilíbrio! O primeiro, é tomar por extremismo o que é radicalidade. O segundo é a tendência a procurar um correlato “extremista” que esteja mais longe daquele do qual não queremos nos ver, para opor àquele no qual nos sentimos julgados, e, com isso, opor coisas que não estão propriamente lados opostos de um mesmo espectro (mas de espectros distintos) I.e., o “fascista” já evoca o “comunismo”. E o terceiro, ainda que, como se diz, muitos eleitores da extrema-direita não sejam fascistas e tenham partido de um misto de desinformação, impossibilidade prática de se informar adequadamente (sobretudo os mais pobres dentre esses) e otimista ingenuidade, as práticas e políticas fascistas também existem, assim como aqueles que a defendem, a querem e parlamentam por ela. E se existe um fascismo, em maior ou menor evidência, existe também, chame isso de extremismo ou não, a necessidade RADICAL de se opor à isso da forma mais eficaz.

    Se chegou até aqui Nicole, agradeço a atenção. Talvez eu pudesse ser mais conciso, mas como o tempo é curto, comentei em fluxo e espero não haver muitos erros, assim como espero não ter sido inoportuno ou ofensivo. E se me estendo assim, é porque nunca comentei aqui e de fato não quero ser inadvertidamente “extremista” 🙂

    Parabéns Nicole.

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    1. Que bom receber seu comentário! Espero vê-lo (ou vê-la?) mais por aqui. Qual seu nome? A ideia é essa mesmo: a gente conversar livremente, sem medos de julgamentos. Não sei se compreendi 100% seu ponto de vista, mas pegando gancho na sua frase “… existe também a necessidade radical de se opor a isso de forma eficaz”. Concordo e isso pra mim não seria extremismo, se entendi bem o que você quis dizer.

      O problema, pra mim, está nessa falta de eficácia das ações ou até nenhuma ação. É como alguém comentou brilhantemente aqui: não adianta ficar uma guerra virtual e intolerâncias de dois lados. Ninguém sai do lugar desse jeito. O que realmente cada um está fazendo para mudar aquilo que não acreditamos? Está colocando a mão na massa e ajudando/orientando os mais pobres? Está plantando árvore em algum lugar? Ou está batendo cabeça pensando em quem será o próximo candidato em 2022?

      Se radicalidade tem a ver com ações práticas, você está certo. Mas se for apenas a continuação do que está acontecendo, vejo apenas como extremismos que não dão resultados positivos. O que acha?

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      1. Oi Nicole, desculpa o abuso, pode copiar e colar sua resposta no comentário reeditado que enviei e deve estar para moderação? Daí eu respondo lá também.
        Desculpa! Eu tô me entendendo ainda com a edição aqui. :/ 🙂

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  15. Olá Nicole, sou novo aqui, não sei como editar a mensagem então estou reenviando o comentário corrigindo alguns erros que dificultariam ainda mais a clareza 🙂

    Então, já que está aberta à discordâncias, fico à vontade p/ concordar… em parte. 🙂

    Sem dúvida o espírito do seu texto é de generosidade, muito importante, tanto pessoal quanto coletivamente! Acho mesmo essencial partirmos desse ponto de vista e darmos espaço a nós mesmos e aos outros, suspendendo, o máximo possíveis, preconceitos que nos impediriam de entender melhor como cada um de nós chegamos à paisagem mental à partir da qual falamos, mas….

    Acho muito difícil falar em extremismo s/ permanecermos num espaço abstrato e nos vermos forçados a, para retornar daí, adotar o mesmo reducionismo disjuntivo que nos leva a identificar (quase sempre nos outros) aquilo que julgamos extremismo. Ex., pode-se observar as políticas do governo e, pelo impacto a determinados grupos/classe/categoria, ou pelos tipo de (i/a)moralidade ou justificativa de base, opor-se radicalmente à elas. Até acredito que possamos ser reflexivos s/ sermos radicais, mas também acredito que s/ radicalidade – ante àquilo que nos agride moralmente e, não raro, ameaça mesmo a sobrevivência física e mental – cairíamos num relativismo muito conveniente que, por fim, apoia indiretamente a situação/status quo sócio-político e econômico já dado, mantendo sua reprodução e fortalecendo hegemonia.

    As pessoas podem discutir até mesmo dentro de uma protetora ambiguidade concessiva, mas a tendência é radicalizar-se em algum ponto do espectro formado pela reflexão/discussão (claro que esse processo pode transformar, ampliar, ou estreitar esse espectro). A radicalização não é um extremismo, mas uma convicção, e, pelo que entendi, você não está dizendo o contrário 🙂

    Coloco a questão da radicalidade mais por 3 razões que percebo como equívocas na maioria das conversas dessa natureza (ou de escape delas) e para as quais está reivindicando um importante equilíbrio!

    1) É tomar por extremismo o que é radicalidade.
    2) É a tendência a procurar um “correlato” extremista que esteja o mais longe daquele no qual não queremos nos ver, e, assim, acabar opondo coisas que não são propriamente lados opostos de um mesmo espectro (mas de espectros distintos) I.e., o “fascista” já evoca o “comunismo”, mas o “comunismo” não está no mesmo espectro linear e faz confundir um modo de governo com um modo de produção .
    3) Ainda que muitos eleitores da extrema-direita não sejam fascistas, e tenham partido de um misto de desinformação, impossibilidade prática de se informar adequadamente (sobretudo os mais pobres dentre esses) e uma otimista ingenuidade idealista, as práticas e políticas fascistas existem! Assim como aqueles que a defendem, a querem e parlamentam por ela. E, se existe um fascismo, em maior ou menor evidência, existe também, chame isso de extremismo ou não, a necessidade de se opor RADICALMENTE a isso da forma mais eficaz.

    Se chegou até aqui Nicole, agradeço a atenção.
    Como sou novo por aqui, reenviei o comentário com correções (não sei se é possível editá-lo, não vi como). Espero não ter sido inoportuno ou ofensivo, ainda que demorado :/

    Espero também não ter sido inadvertidamente “extremista” 🙂

    Parabéns Nicole!

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    1. Que bom receber seu comentário! Espero vê-lo (ou vê-la?) mais por aqui. Qual seu nome? A ideia é essa mesmo: a gente conversar livremente, sem medos de julgamentos. Não sei se compreendi 100% seu ponto de vista, mas pegando gancho na sua frase “… existe também a necessidade radical de se opor a isso de forma eficaz”. Concordo e isso pra mim não seria extremismo, se entendi bem o que você quis dizer.

      O problema, pra mim, está nessa falta de eficácia das ações ou até nenhuma ação. É como alguém comentou brilhantemente aqui: não adianta ficar uma guerra virtual e intolerâncias de dois lados. Ninguém sai do lugar desse jeito. O que realmente cada um está fazendo para mudar aquilo que não acreditamos? Está colocando a mão na massa e ajudando/orientando os mais pobres? Está plantando árvore em algum lugar? Ou está batendo cabeça pensando em quem será o próximo candidato em 2022?

      Se radicalidade tem a ver com ações práticas, você está certo. Mas se for apenas a continuação do que está acontecendo, vejo apenas como extremismos que não dão resultados positivos. O que acha?

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      1. Realmente. Mesmo que eu ache “complicado” o lugar de quem vê o extremismo desse ou daquele indivíduo mas não consegue identificá-lo no campo das políticas e ideias, esse extremismo VIRTUAL a que se refere é bem claro mesmo, e, pelo que se vê, estéril!. Acho que o anonimato e a impessoalidade do meio talvez deixem a impressão de que comentários furiosos e cheios de ódio tenham mais a ver c/ reflexão política e debate/disputa de ideias, do que com aquilo que de fato parece ser: catarse pessoal! :/

        Sem dúvida a ação prática é fundamental! Sinto o mesmo incomodo, e isso cansa sim! Mas,não que você tenha dito o contrário, teoria é fundamental também! Senão, grosso modo, acabamos motivando e justificando nossa ação prática com algum terraplanismo 🙂

        Minha página ainda não está no ar, talvez por isso tenha visto o erro. Estou organizando um conteúdo inicial e ainda tenho que ver as configurações, daí resolvi dar um rolê pelos blogs da plataforma e encontrei o seu. Foi motivante, sobretudo pela interação. Obrigado! Mantive o nome anônimo porque a página é inicialmente apenas uma alternativa às exigência de um curso em andamento, vou deixar assim por ora até ver o que de fato estou buscando aqui 🙂

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      2. Com certeza! Teoria e consciência são fundamentais! Então me avisa quando o blog for ao ar, acho que você vai gostar da experiência. Também sou nova aqui e as trocas são muito boas!

        E boa sorte com o curso 🙂🌻

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