É preciso proibir?

Seguindo outros países da Europa, a Suíça aprovou a proibição de qualquer ocultação do rosto em público no país. A votação foi acirrada. A partir de agora, mulheres muçulmanas estão proibidas de usar burca, vestimenta que cobre todo o corpo. A decisão está gerando muitos debates em relação ao preconceito e à violação aos direitos das mulheres.

Sem dúvidas, nenhuma mulher deveria ser forçada a fazer qualquer coisa que ela não queira. Mas a criação de leis que dizem o que as mulheres devem ou não devem fazer restringe a liberdade de manifestação, não acha? Quando proíbe o uso de algo relacionado a uma religião e cultura, nem se fala.

Nesse caso, será que o mais justo não seria uma votação apenas com as mulheres que usam burca para saber o que elas querem? Como eu, mulher branca e não mulçumana, por exemplo, posso dizer o que é melhor para elas? Assim como homens não tem o direito de dizer o que é melhor para minha vida e o meu corpo.

Como mulher, sinto cansaço por ver os outros falando por mim, ditando regras por mim. Desejo um mundo em que todas tenham espaço para não apenas falar, mas também para decidir. Eu li as notícias sobre a proibição que impacta o poder de escolha das muçulmanas e senti angústia.

Angústia por elas estarem sendo obrigadas a seguir uma regra imposta por pessoas que não ocupam o mesmo lugar que elas e também pela minoria que segue uma religião diferente. Se lutamos por respeito e igualdade, é necessário incluir todos e todas, sem distinção.

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Foto autoral. Árvores florescendo / Março, 2021.

40 comentários sobre “É preciso proibir?

  1. Sem dúvida uma questão muito pertinente e com dois lados completamente controversos,não estamos simplesmente a falar de usar uma burca ou não ,mas sim se os homens muçulmanos conseguem aceitar que outros homens vejam o rosto ,e apenas rosto de suas esposas,eu como home e em pleno século XXI axo um assunto muito triste e de um egoismo puro por porte dos homens e sua religião ,porque é a opressão das mulheres no que á sua liberdade ,de apenas mostrar o rosto…
    Saudações …
    Nuno Santos

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    1. Bom dia, Nuno! Esse tema é complexo e instigante, talvez por isso a votação tenha ficado quase empatada.
      A mulher ser obrigada a fazer qualquer coisa é algo que eu sou completamente contra, mas acredito que cada mulher deve decidir sobre sua liberdade, entende? Para grande parte das muçulmanas, é a cultura e religião delas e é como elas vivem. Tirar isso de uma forma autoritária traz muito sofrimento para elas e até prisão, porque elas passam a não sair de casa.
      Elas seguirão na sociedade, mas invisíveis. E o maior problema vai permanecer: os homens que as obrigam a fazer algo não vão mudar.
      Obrigada pelo seu comentário e seja bem-vindo!

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  2. Foi a mesma coisa que eu pensei quando li a notícia. Será que essas mulheres que serão diretamente afetadas foram consultadas? Talvez elas mesmas queiram usar a burca, faz parte da cultura delas. Não cabe aos legisladores decidir.

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    1. Achei bem triste… Já assisti um episódio do “Não conta lá em casa” e eles visitaram o Irã. Conversaram com várias mulheres jovens que usam burcas e elas falaram que isso não é nenhum problema para elas.
      Temos que aprender a ouvir quem vive de uma forma diferente e não tentar impor o que achamos ser “normal”. Até porque não existe normal.
      Abraços e ótimo dia!

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      1. Lara, e é interessante ver como dentro do próprio feminismo somos excludentes. Temos vários grupos de mulheres e cada um com suas particularidades, não devemos ter apenas o olhar da mulher branca classe média. Beijão pra vc!!

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      2. Com certeza! A sua resposta foi cirúrgica. Me lembra até o comentário da Jéssica Senra, âncora da Tv Bahia (afiliada da Globo), no dia das mulheres. Ela repercutiu o discurso da Sojourner Truth sobre as particularidas da luta feminina negra.
        Um abraço, Nicole! Seus textos são fundamentais para refletirmos sobre os nossos tempos.

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      1. Nem sempre é fácil mesmo, imagino na França que há medo constante em relação a terrorismo. Quando estive em Paris, senti o ar de tensão com vários militares armados nas ruas. Um ótimo dia também! 💚

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      2. Tem razão Nicole. Vivi 8 anos em Paris e não sinto saudades dessa insegurança, esse medo constante. Mas não podemos correr o risco de pensar que todos os muçulmanos são terroristas. Devemos respeitar todas as crenças e culturas.

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  3. Bruno Morais

    Essa representatividade começa assim, com mulheres com a visão ampla conectando e dissipando discursos muitas vezes óbvios, e o óbvio precisa quase sempre ser dito, reinterpretado. Por isso só passando para deixar likes e palavras amigas, Nicole, like, like, like.

    Que as mulheres consigam exercer essa autenticidade que muitas vezes lhe são podadas ou limitadas ao meu ver. Um ótimo restinho de semana! Beijo.

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  4. Ai olha eu não entendo essas coisas.
    Eu sofreria demais se tivesse que usar uma burca, acho a ideia péssima. Mas essa sou eu, com uma visão diferente, com uma cultura diferente, com uma religião diferente. Talvez algumas, ou até muitas, gostem e prefiram usar, foi isso que acreditaram a vida inteira. Acho horrível simplesmente proibir com base na visão de um único lado da história. No mundo ideal eu acho que deveriam proibir as proibições, você não é proibido de usar se quiser e você não é proibido de ficar sem, se quiser também. Mas aí talvez eu esteja sonhando demais… Quem sabe um dia né?

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    1. Ai eu também torço para isso um dia! Essas proibições é o claro exemplo de se preocupar com a vida do outro e querer impor a própria visão. Me dá muita gastura, porque poderia ser comigo. Enfim, precisamos seguir dialogando e expandindo. Beijo grande e bom final de semana! 🌻

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  5. Eu não sei, minha cara… eu confesso que me aborrece ver mulheres enfiadas em burcas. Mas é algo pessoal. Já conversei com algumas mulheres a respeito e não me convenci quanto ao argumento apresentado.

    Imposições religiosas me causam imenso desconforto desde a infância. E confesso que entendo a postura de certos países (França) tentarem proibir o uso de burcas e véus porque ao visitar certos países, nos pede que respeitem suas culturas e tradições.

    Quando fui ao Irã fui aconselhada a usar o véu. Me irritei com os “senãos”. Respirei fundo e me lembrei que era turista-visitante. Mas eu me senti agredida e tive vontade de ir embora porque não sou religiosa, não tenho crenças, mas tinha que baixar a cabeça e aceitar as imposições. E um bando de senhoras se juntou para me convencer da importância da mulher não se expor. E eu senti imenso desprezo por elas.

    E em Akko fui aconselhada a não usar roupas masculinas (calças e shorts) e me ofereceram saias e vestidos longos. Bufei porque nunca me enfiei nessas coisas em toda a minha vida.

    Acho complicado esse debate até porque o uso da Burca não se trata de opção para as mulheres. É uma obrigação, imposição…

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    1. Lunna, o ponto central é: as mulheres devem ter o direito de escolha. E esse direito envolve usar a burca ou não usar.

      Proibir as mulheres de usar burca em países x e y não vai melhorar regimes autoritários.

      Não sou a favor de qualquer tipo de restrição e obrigação às mulheres, a gente que escolhe usar burca ou não. Inclusive as muçulmanas.

      Não cabe a mim avaliar o que elas acreditam em termos de religião ou cultura. Eu não tenho a mesma história que elas…

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      1. Eu sou sempre a favor das mulheres terem o direito de escolha e foi justamente o que não tive quando visitei o Irã, por isso me incomodou e irritou.

        Quanto ao Chadri (burca) ainda é usada por por mulheres que temem pela segurança delas, caso não o façam. Ou seja, não é uma questão de escolha. Elas usam por medo.

        Eu continuo achando válido do debate a respeito, até para entender que lugar é esse em que vivemos. No Brasil, ainda se culpa a roupa por estupros. Delegados se sentem a vontade para questionar a roupa, o horário, o lugar. Nos paises mulçumanos ainda se responsabiliza a vítima, punindo-a, em alguns casos com prisão, em caso de estupro.

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  6. Eu convivo com muçulmanos(as). Concordo com você, e sempre pensei na situação como uma dupla discriminação (mulher e religião). E olha, que não sou fã das religiões de um modo geral. Esse tipo de lei surgiu após seguidos atentos, por motivo de segurança, dizem os homens. No entanto, é muito raro uma mulher ser autora de atentado. Mais curioso é que com a pandemia se eu coloco a máscara e um gorro fico também irreconhecível. rsrs

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