Amor é ninho, não gaiola

Foto autoral. Flores da feira / Setembro, 2021.

Tenho acordado todos os dias com passarinhos cantando na janela, o que é algo surpreendente no meio dos tantos prédios erguidos e poucas árvores no solo. Esses pequenos voadores me fazem lembrar do amor: como é bom voar tendo um ninho para chamar de seu. Ninho é um abraço apertado, familiar, de laço frouxo.

Costumamos relacionar o amor à dependência emocional, posse, ciúme, limitações, prisão. Quem nunca viu pessoas que não conseguem fazer o que desejam porque os pais prendem? Quem nunca viu casais que não “aceitam” que o outro viaje sozinho? A saúde das nossas relações, sejam elas quais forem, está na naturalidade de ser quem somos.

Nas relações saudáveis, podemos ser quem somos sem culpas e gaiolas. É difícil? Sem dúvidas, até porque crescemos com ideias de relações românticas em que temos que nos sacrificar de alguma forma. Gosto de dar exemplos, como o da jornalista Clarissa Ward que foi cobrir os conflitos no Afeganistão enquanto o marido cuidou dos dois filhos.

Em terra brasileira, tenho uma amiga de Brasília casada que adora curtir o momento dela de solitude, assim como o marido. Ela já viajou para outro país sozinha, ele passa semanas visitando o irmão em outra cidade. E ela diz que esses momentos são maravilhosos para os dois, embora as pessoas de fora não entendam.

Também conheço um casal querido do Pará. Eles têm o hábito de todo ano viajarem cada um ao seu estilo: ele para roteiros com trilhas longas, ela para reencontrar os amigos em qualquer parte do mundo. Estão juntos há mais de dez anos. Tenho mais identificação com esse modo de ver a vida e as relações do que o típico “depois que casa acaba tudo”. Amor é ninho, não gaiola.

Obrigada pela sua leitura! Te inspirou? Compartilha com suas pessoas queridas. 

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5 comentários sobre “Amor é ninho, não gaiola

  1. elcieloyelinfierno

    Muito boa e esclarecedora entrada !! Amar não significa ficar preso a uma simbiose que acaba matando o amor. A liberdade de cada um; aprofunda o amor à distância do ente querido. Eu concordo totalmente com você. Suas conclusões são muito boas. Um fim de semana maravilhoso, uma saudação cordial.

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  2. Ninho acolhe e é aconchegante, mesmo, que os perigos sempre espreitam, afinal, viver é perigoso, diria um sábio das Minas… Gaiola, é segura, mas, aprisiona, tira o risco de viver, pois já é morte em si mesma…

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